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Friday, March 23, 2012

FLM: A alegria de crescer



“O importante não é tanto a originalidade, mas que não se deixe de escrever”. Esta foi uma das últimas frases (neste caso de Francisco Fernandes) que se ouviu na 2.ª edição do Festival Literário da Madeira, que decorreu no Funchal entre os dias 15 e 18. E parafraseá-la poderá ser a melhor forma de descrever esta iniciativa dos Booktailors - Consultores Editoriais e da editora Nova Delphi que juntou na ilha 23 escritores de várias nacionalidades: “O importante não é tanto a originalidade, mas que não se deixe de fazer festivais como este”.
Usando o modelo das Correntes d’Escritas, da  Póvoa de Varzim, este encontro tem sabido criar uma marca própria, fazendo uso das potencialidades da Madeira. Estão lá, como nas Correntes, as mesas redondas, as visitas às escolas, os lançamentos de livros e as sessões de poesia. Mas também há uma forte ligação à Universidade da Madeira (o seu reitor foi um dos moderadores e outros professores também estiveram presentes), o confronto com uma região (de maiores dimensões) em que se cruzam várias referências culturais, devido aos fluxos migratórios, e há ainda um estimulante diálogo entre uma comunidade literária madeirense muito ativa e os convidados do continente. A par de Francisco Fernandes, Graça Alves, João Carlos Abreu, José Castanheira da Costa, Paulo Sérgio BEJu e Rui Nepomuceno, que participaram nas sessões, na plateia foram vistos muitos outros escritores madeirenses, como Ana Teresa Pereira ou Teresa Jardim. Num mundo em que tudo parece reinventado (ideia muito discutida no encontro), este Festival aposta tudo na reinvenção. E com bons resultados. Para o ano, a organização, cujos rostos principais são Paulo Ferreira e Francesco Valentini, promete mais escritores, mais autores, mais dias de atividades, debates e visitas a escolas. Talvez assim se perceba por que razão quiseram, este ano, “troikar as voltas à crise”. O lema parece ser, contra a austeridade, marchar, marchar. Com Literatura. 


À semelhança da 1.ª edição, o Festival teve um tema único - o verso de Fernando Pessoa “Éramos felizes e não sabíamos” - que depois se desdobrou em quatro variantes: éramos poors, violentos, piegas e originais. Das intervenções sobressaiu o papel que o escritor/intelectual poderá ter num período de crise como o que o atravessamos (além de livros e escritas, falou-se muito da atual conjuntura económica). “O escritor deve procurar acima de tudo a beleza formal, tratar bem a língua, mas se conseguir ao mesmo tempo dar um contributo para mudar a sociedade cumprirá ainda melhor a sua função”, afirmou Rui Nepomuceno. 
Isso pode passar, sugeriu Júlio Magalhães, falando da sua experiência como jornalista, por uma nova relação com o espaço público. “A televisão domina as pessoas, mas são as pessoas que têm de a dominar. E a literatura tem andado muito afastada do ecrã”, defendeu o escritor e diretor do Porto canal. “É preciso que os escritores estejam disponíveis e saibam usar a televisão”. Na afirmação de um discurso alternativo à ditadura dos números e ao jogo político, o escritor tem a possibilidade de lançar novos olhares sobre o mundo. E de colocar perguntas. Para o chinês Yang Lian, é essa a missão do poeta e, para ilustrar a ideia, lembrou um autor clássico do seu país que num dos seus poemas enumerava justamente 200 perguntas. Na procura de respostas está o início da mudança. 
Uma das novidades deste ano foi a institucionalização de uma conferência de abertura. A estreia coube a Inês Pedrosa, com uma extraordinária intervenção sobre o universo de Agustina Bessa-Luís, intitulada A Ilha Secreta de Agustina. A diretora da Casa Fernando Pessoa citou passagens dos seus livros e entrevistas, lembrou dados biográficos e traços de personalidade, analisou as suas frases e aforismos e isolou as linhas fortes da sua escrita torrencial, numa completa viagem pelos romances e contos da autora de A Corte do Norte, romance cuja ação se passa precisamente na Madeira. “Os livros de Agustina exigem alma, mas não pergaminhos académicos”, afirmou a escritora, em jeito de introdução. “São difíceis, mas podem usar-se como missais inquietantes”. Num texto que o JL publicará numa das suas próximas edições, Inês Pedrosa focou ainda o estilo de Agustina - “de livro para livro a mão torna-se mais leve” - e os temas que privilegiou nas obras, concluindo: “Um ensaio potente sobre Portugal e os portugueses. Uma reflexão lúcida sobre as motivações profundas e as escolhas políticas da Humanidade, pois é sempre de relações humanas que nos fala, do desespero e da alegria do mundo”.


Um arranque sonante que, dada a adesão do público, a qualidade da organização, a versatilidade dos temas, se transformou na nota dominante do encontro. E citando ainda Inês Pedrosa, pode dizer-se que “no Festival Literário da Madeira ouve-se falar em crescer e sonhar e ir mais longe. E isso é muito bom”.

Texto publicado no JL 1082, de 21 de Março de 2012

Francesco Valentini


Na reportagem sobre o Festival Literário da Madeira, publicada no JL 1082, da passada quarta-feira, um dos organizadores está mal identificado. Na verdade, o seu nome é Francesco Valentini, director da editora Nova Delphi. Ao Francesco, a toda a equipa do festival e aos leitores, as devidas desculpas pelo erro, que será corrigido na próxima edição.

Sunday, March 18, 2012

E a cabeça cheia de ilhas

Regressar, desejar voltar. A cabeça cheia de ilhas. E de memórias. Foi bonita a festa, pá. 

Saturday, March 17, 2012

E para o ano há mais

Paulo Ferreira e Francesco Valentini fazem um balanço muito positivo do festival. Agradecimentos a toda a equipa de produção, à cidade do Funchal. E para o ano há mais.

Mesa 5 do FLM

18h53: Fim da sessão. Segue-se a cerimónia de enceramento.

18h52: Moderador: Há de facto um baú de livros que um escritor tem dentro de si. O importante não é tanto a originalidade, mas que não se deixe de escrever.

18h49: José Mário Silva: Isso tem a ver com três palavras: direitos de autor. David Shields diz que esse é um conceito que já não faz muito sentido, porque a criação absorve tudo.

18h47: O editor, no século XVII, é que às vezes atribuía poemas a Camões para garantir que eram mais lidos. Durante muitos séculos, o texto foi mais importante que o nome.

18h45: Fernando Pinto do Amaral: Por que razão se dá tanta importância à originalidade? É uma ideia que vem do Romantismo e tem a ver com o nome. Camões usava modelos clássicos e não se importava com isso. Ler e publicar os textos era o que interessava.

18h44: Karla Suárez: Mesmo em histórias que já conhecemos abrem-se janelas para outros universos.

18h42: José Manuel Fajardo lembra uma frase da Bíblia: Não há nada de novo debaixo do Sol. Mas não haverá mesmo nada de novo? Voltar uma e outra vez ao mesmos temos não será uma originalidade?

18h40: Momento de perguntas e respostas. Graça Alves diz: o que interessa é que o que lemos continue a criar emoções.

18h39: Por isso, originalidade é levar o leitor a sentir que está a ler uma coisa nova.

18h39: E também os clássicos foram influenciados por outros clássicos.

18h38: Os clássicos não são clássicos porque escreveram uma coisa diferente, mas porque escreveram de uma maneira diferente. Pegaram numa ideia, por mais pequena que fosse, e converteram-na numa história universal.

18h37: Foi um momento muito duro, porque depois encontrei outros autores nos meus livros.

18h35: O tempo passou. Cresci. Continuei a ler e a escrever. E fui viver para Paris. Decidi aprender francês. Mas pensei também que é mais fácil ler livros que já tinha lido. Foi um grande erro. Porque comecei a reler Albert Camus, porque apercebi-me que muito do que escrevia era influenciado por Camus.

18h34: E com isso escrevi muitos contos. Mas quando dava a ler alguém, sempre me diziam que se via muito a influência de Cortazar. Apesar de morto, disse-lhe que temos de cortar a nossa relação. Queria encontrar a minha voz.

18h33: E nessas leitura conheci um autor, Juio Cortázar, que passou a ser o homem da minha vida. Apaixonei-me.

18h32: Quando era pequena não gostava de ler. Mas gostava muito de escrever. Tinha uma grande imaginação. Até que um dia comecei a ler.

18h31: É bom ver a sala cheia. E se os políticos não apostam na cultura é porque com elas as pessoas não são manipuláveis.

18h30: Intervenção de Karla Suárez.

18h29: Uma última citação, sem preocupação de saber de quem é: "Quando não temos certezas quer dizer que continuamos vivos".

18h28: Esta é a ideia que mais me interessa. Porque um dos factores que fez o sucesso do romance foi a possibilidade de ter tudo lá dentro.

18h27: Lê: "Os livros que mais me interessam estão na fronteira de géneros".

18h23: Neste livro, ele reúne excertos seus e de outros autores, sem referir quem é o autor, pondo em causa a ideia de originalidade.

18h21: Leitura e comentário do ensaio de David Shields, Reality Hunger: A Manifesto, segundo o qual a literatura é muito conservadora, segue os mesmos conceitos da literatura do século XIX.

18h20: Somos originais se não nos preocuparmos em tentar ser originais.

18h18: Saul Bellow dizia que o importante é o estilo. Porque há muito poucas intrigas. Alguém perde alguma coisa e encontra-a. Duas pessoas apaixonam-se. Algum inicia uma investigação para descobrir a verdade de um assunto.

18h17: Não sei se tudo foi feito. Continuamos encontrar autores que nos surpreendem. Mas de facto muito foi feito. Mas esta é uma ideia que não nos deve inquietar, antes estimular.

18h15: Foi o que tentei fazer no meu primeiro livro de Poemas, Nuvens e Labirintos, em que tentei imaginar mitos clássicos no final do século XX. Nada muito original. Original só no sentido em que fui eu que o fiz, com a minha sensibilidade.

18h14: O Homero escreveu sobre tudo, mas não viveu na nossa época. E cabe-nos actualizar os mesmos temas.

18h13: Mas olho para estas arcas que estão no palco e penso que elas carregam os livros que todos os escritores já leram. Sem essa leitura não há escritores.

18h12: Devíamos inverter os dados da mesa. Só quando não sabemos é que estamos a ser originais.

18h11: Agradecimentos. Estes temas, como acontece nas Correntes d'Escritas, são para baralhar e provocar.

18h11: A palavra passa para José Mário Silva.

18h08: A nossa originalidade, para nós Madeirense, está na forma de trazer para a escrita a água que nos rodeia. Deste mar que nos beija.

18h06: O livro que escrevi O Meu Simão naquela tarde não teria sido nada sem Fazes-me Falta de Inês Pedrosa.

18h05: É um pouco como o eterno retorno modificado. E no momento em que nos sentamos a escrever são as palavras dos escritores que já lemos. Às vezes n\ao sabemos se a ideia é nossa ou está a ser soprada por alguém que chegou antes. Precisamos sempre do que os outros disseram antes de nós.

18h04: Se formos para trás e pensarmos nos clássicos, Homero não foi buscar as suas intrigas do nada. Camões também não.

18h03: Todos nós falamos das mesmas coisas, do amor, articulado com a morte, da vida, dos nossos mundos, medos, alegrias, tristezas. Que são as da humanidade. Já tudo foi dito. A nossa única solução é dizer tudo de outra maneira.

18h03: quem sou eu para pensar que em algum momento da minha escrita podia ser original e superar os cânones? Bloom fala da angústia da influência. Apetece-me falar da oportunidade da influência.

18h02: Mesmo que o escritor se isole numa torre do fim do mundo, será sempre influenciado. Todos nos apropriámos do que outros disseram e escreveram.

18h01: Um escritor transfigura a realidade, transmuta e modifica as leituras que outros fizeram por ele.

18h00: Agradecimentos. Falar deste Festival faz-me lembrar uma frase de Ernesto Rodrigues que dizia "nascido num mar de pedra faz-me bem ver o mar". É bom termos por perto pessoas que só conhecemos dos livros.

17h58: Cinco mesas, cinco moderadores com abordagens muito diferentes. Nesta, quase um ensaio sobre a literatura infantil e originalidade. Neste campo temos sido originais, diz o moderador. E passa a seguir uma ordem de distância geográfica. Começa Graça Alves.

17h56: Não são só os contos tradicionais que têm ideias que queremos ver ultrapassados.

17h54:



15h52: O moderador contextualiza o tema, focando-se sobretudo na literatura infantil.

17h52: Ideias fortes: Como andamos a escrever o mesmo que os clássicos. Será a originalidade um valor sobrestimado? Na era da inovação obrigatória, a literatura tem sido capaz de se reinventar ou está cada vez mais repetitiva?

17h49: A organização explica que Francisco José Viegas não pode estar presente e lê um pequeno texto. que o Secretário de Estado da Cultura enviou.

17h48: Tema: Éramos originais e não sabíamos, com Graça Alves, José Mário Silva, Karla Suárez e moderação de Francisco Fernandes.

17h47: Terminada a sessão de lançamento do livro de Honoré de Balzac, traduzido por José Viale Moutinho, seguimos para a quinta e última mesa.

Em Abril, nas livrarias

O novo livro de Joel Neto.

Mesa 4 do FLM

17h01: Plateia cheia. Boas intervenções. Muito bom início de tarde.

17h00: Termina a sessão.

16h56: Um bonito elogio e louvar ao arquitecto Paulo David e à sua obra arquitectónica, recentemente distinguida com a Medalha Alvar Aalto 2012.

16h53: Na Madeira a Natureza fez quanto havia a fazer. E cabe ao homem não destruir.

16h52: Os quadros na casa das mudas dão a ideia que o rochedo passou a usar brincos.

16h51: Quando estamos nas suas obras desconfiamos logo da natureza inerte dos materiais.

16h51: O Paulo David (arquitecto da casa das mudas) parece que faz as casas levitar.

16h50: Mesmo as casas pequenas têm tamanho para o que não é físico. E podem ser melhores se formos melhor conteúdo.

16h50: As casas são roupas muito largas que vestimos.

16h49: O grande problema do mundo é não haver um comprimido para os problemas de convivência.

16h48: Quando estamos na casa das mudas chegamos a pensar que foi o próprio rochedo que criou janelas para ver o mar. Amadureceu em casa.

16h47: Passa agora a ler um texto.

16h46: Até a ver televisão não há dia em que não chore a ver em determinados momentos.

16h45: Choro muito. As palavras são tão intensas que não consigo ficar longe.

16h44: Sei que sou piegas desde os três anos. E há coisas que me desmancham completamente.

16h42: Se conseguirem arranjar-me uma cunha para passar dois meses a escrever no Curral das Freiras digam-me.

16h41: Isto de ser sempre de ordem alfabética tem de mudar. Fico sempre em último. E a ansiedade sobe.

16h39: Fotografia, ilustração, poesia, música. Uma intervenção muito variegada e original de Paulo Sérgio BEju, difícil passar para palavras. Segue-se Valter Hugo Mãe.

16h35: Este Festival vive essencialmente de pessoas que trazem claridade.

16h31: Os livros na Livraria Esperança têm uma espécie de piercing e tatuagem, por causa da mola que é usada para os pendurar na parede. Tenho esperança que isso seja uma forma de levar a literatura aos jovens.

16h30: Um dia, depois de ver o Ensaio sobre a Cegueira, que há um túnel, na Madeira, que se chama Saramago.

16h26: O leitor depois de ler um livro quase que poderia ser o autor desse mesmo livro, já que sentiu as mesmas sensações que o escritor teve.

16h22: Não sou escritor, sou ilustrador. Alguém que ilustra a dor.

16h21: É a vez de Paulo Sérgio BEJu, que falará através de imagens projectadas.

16h20: E se substituíssemos por piegas? Deixava de ser esdrúxulo para ser grave.

16h19: Paródia com o poema de Álvaro de Campos sobre as cartas de amor que são ridículas, substituindo cartas de amor por portugueses de hoje. Ou ainda: substituir por governantes de hoje.

16h15: A pieguice não alimenta literatura, mas a pieguice pode ser literatura. É tudo uma questão de estilo, de forma.

16h14: Todos escrevem, logo todos têm o direito de publicar?

16h13: Manuela Ribeiro cita um conto de Rui Zink, o Bicho dos Livros.

16h12: A pieguice influencia a literatura? Depende do que entendemos de literatura.

16h11: Mas falemos de livros. Os livros são piegas?

16h10: E quero partilhar uma mensagem que recebi no dia da mulher.

16h08: Isso explica porque recebo tantas mensagens e emails que procuram iluminar o meu caminho.

16h07: O melhor mesmo é citar o nosso Eça de Queirós, esse sim, de todos nós. Ou Eduardo Lourenço, que diz que é preciso qualquer coisa de luz. Luminosa.

16h06: Será que eu devia estar aqui? Não seria melhor convidar o nosso primeiro? O nosso Presidente?

16h05: É uma alegria comovente estar aqui.

16h04: Segue a conferência para Manuela Ribeiro, que vai ler um texto.

16h00: Depois de ler, diz: Sim, eu sou piegas. E também era feliz e não sabia.

15h56: A esse propósito, lê um excerto do seu novo romance, a publicar em Abril, na Porto Editora, Os Sítios Sem Respostas.

15h55 Se é exacerbar emoções, eu sou piegas.

15h54: Não sei o que é piegas. Há aquele verso da Adília Lopes: sou sensível, não sou piegas.

15h52: Quando fazia mau tempo nos Açores, pensava: quem me dera ser da Madeira. E nos Carnaval, quando via o Alberto João mascarado,  pensava: quem me dera ser da Madeira, não seria a pessoa mais ridícula da festa.

15h51: Gosto sempre de voltar sempre à Madeira. Dá sempre a ideia que é tão bonita como os Açores. E é terra de Cultura: Helberto Helder, Helena Marques, José Agostinho Baptista, Ronalda...

15h51: Gostava de ter um festival assim nos Açores.

15h50: Começa Joel Neto. Tenho muito gosto em participar na mesma sessão que o Valter Hugo Mãe. O sucesso está garantido. Podem desligar as câmaras. Não vou dizer nada.

15h49: Apresentação dos convidados.

15h46:



15h45: Mais uma referência piegas, diz a moderadora: as cartas de Fernando Pessoa a Ofélia. Lê alguns fragmentos.

15h44: Venho falar-vos da gata Ofélia de Adília Lopes, diz.

15h43: A moderadora apresenta o tema.

15h41: Ideias chave: Somos um povo de escritores e romances piegas? A lamúria afadistada sempre encontrou terreno fértil na literatura? Os nossos heróis sofrem e choram muito?

15h40: Convidados: Joel Neto, Manuela Ribeiro, Paulo Sérgio BEJu, Valter Hugo Mãe e moderação de Diana Pimentel.

15h39: Tema da Mesa: Éramos piegas e não sabíamos.

15h37: Regresso ao Festival, para a quarta mesa redonda.

Leitura obrigatória

Apresentação hoje, no Festival Literário da Madeira, às 17.

Mesa 3 do FLM




13h05: Termina a sessão.

13h04: Propaganda também é necessária, sobretudo se se vive num regime ditatorial, que deve ser combatido.

13h03: O poeta é um cidadão. Mas a sua luta é consigo. Se ele fala com o Estado faz propaganda. O poeta é íntimo, interior.

13h02: Pergunta do público. Para Wallenstein. A liberdade, apesar de um lugar comum, não deverá ser mais falada?

13h01: A primeira revolução do poeta deve ser a da palavra.

12h57: É preciso lutar contra a repetição do olhar, os hábitos da percepção.

12h57: Um poeta tem de lutar sempre. Mas não sinto que um poeta consiga lutar contra o poder económico e político, sem antes lutar contra o seu verdadeiro inimigo, a realidade.

12h56: A vez do italiano Francesco Benozzo.

12h53: A poesia pode mudar a vida?, repito. Eu estava no terceiro ano do curso de medicina e tive uma crise. Li um livro, Fanny Owen. Conheci outras pessoas. Apaixonei-me. A literatura mudou a minha vida.

12h52: Inglês e italiano. Fernando Pinto do Amaral fala em qualquer língua.

12h51: Para mim, a arte esta sempre associada à inquietação.

12h49: o que me parece importante na violência, é transformar as suas raízes. Sempre que se escreve arte, há tensão. Numa ideia para um poema, contos, para a vida, alguma tensão é muito importante. Numa tranquilidade ou felicidade plena parece que não ha necessidade da escrita.

12h48: Como a poesia pode mudar a nossa vida? Somos Outros quando escrevemos. É fundamental escrever esse Outro.

12h45: Chega a vez de Fernando Pinto do Amaral.

12h42: Um poeta precisa de encontrar o seu caminho, entre o caos.

12h41: Foi um rasgão. Um murro. E depois veio a Guerra Colonial e eu fugi para França.

12h40: Mostrei as peças ao Bernardo Santareno, que me perguntou: já leu Herberto Helder?

12h38: Escrevi aos 18 anos as minhas primeiras peças, também marcadas pelo Sartre e o existencialismo. Personagens sentadas à procura de saída.

12h37: O que me apareceu primeiro foi o teatro. Porque a Nazaré era uma cenário, os barcos a voltarem-se e os pescadores a desaparecerem. As pessoas aos gritos.

12h36: Para mim, o importante foi abri-me, encontrar palavras. Como falar sobre a minha infância, sobre estas mortes? Com uma avó vestida de negro porque o filho se suicidou do sítio da Nazaré. E ela fala com ele, com o filho morto.

12h35: Cresci numa praia de grande violência, a da Nazaré, onde naufragavam muitas pessoas. Toda a minha infância foi um olhar sobre a tragédia. Imagine uma criança hoje na Síria, a olhar para o que se está a passar. É muito diferente, porque não havia sangue. Era uma tragédia silenciosa. E aí ou nos fechamos ou nos abrimos.

12h34: É dizer o que não está visível.

12h34: "O poeta procura respostas a perguntas não feitas". A poesia para mim não é o espelho da realidade. Não é dizer o que está visível.

12h33: A palavra com Jaime Rocha. Agradecimento. Espero que daqui a seis anos me convidem para outro festival, já que estive cá há seis anos.

12h31: O que eu amo é a paixão poética. Questionamo-nos. Não somos perfeitos. Representemos a humanidade. E quando questionamo-nos construímos algo muito mais profundo. A poesia é um professor.

12h29: Somos antigos e contemporâneos, estamos sempre no mesmo ponto.

12h28: Eu sou o Outro, na cultura Ocidental.

12h27: Sou um dissidente do governo chinês, mas não da língua chinesa.

12h26: Um poeta antigo chinês fez um poema com 200 perguntas, desde o início dos tempos. Cada perguntas mais profunda que a anterior. É essa a minha imagem de poeta.

12h25: Poesia não é só para mudanças. É o que faz com que o nosso barco fique estável. A poesia procura perguntas e respostas.

12h23: Como é que a poesia pode mudar a nossa vida. A vida tem mudado muito rapidamente. Ficámos contente com o fim da Guerra Fria, mas depois tivemos o 11 de Setembro e ainda há pouco tempo um massacre na Noruega.

12h22: Os poetas sentem sempre a mesma dor. Não só sobre a sua história, mas de toda a história da humanidade.

12h21: Passa a palavra para a chinês Yang Lian, poeta exilado.

12h18: A moderadora pergunta se a poesia pode influenciar a política. Ele diz que sim. Que foi para a política para procurar um fim. Humanizar. É tão importante a cultura como uma defesa de cada um de nós. Só assim poderemos construir uma sociedade melhor e defender-nos dos objectivo de tirania.

12h17: É por isso que a minha poesia é feita de amor e de paz e eu estou muito contente com isso.

12h16: A poesia deve transmitir uma certo ambiente de paz. Tem de nos conduzir a outros caminhos, porque a vida é uma passagem. Quem tem experiência da vida sabe o que a palavra consegue.

12h15: A poesia tem de criticar o que deve ser criticado, mas usá-la para a violência não me parece bem.

12h14: Conta uma história. De um poema que escreveu e que está fixado na cidade velha. E foi lido por uma senhora que pensava suicidar-se. Aquelas palavras salvaram a sua vida.

12h13: A vez de João Carlos Abreu. A palavra é capaz de matar e resuscitar uma pessoa. A poesia é liberdade. Uma mensagem que queremos transmitir aos outros. Nem que seja uma palavra de esperança.

12h11: Todos sentimos fome, raiva e transformo noutra coisa. Digo sempre: cospe o sumo dessa violências e faz dela outra coisa.

12h10: E é tudo. Mas a moderador insiste. Na série poemas sobre Tony há muita violência. Como é que fala contra a violência?

12h09: Além disso, a missão do poeta é violentar a linguagem, violência de uma forma muito apelativa, nada negativa.

12h08: Num tempo de violência é muito difícil afastá-la poesia. É mais difícil falar directamente sobre a violências. Há muitos lugares comuns.

12h07: Liberdade para mim é ter uma tarde livre. É mais interessante falar de Violência e poesia.

12h06: Começa Wallenstein, que não quer falar de Liberdade. Porque Liberdade tem sido um disfarce para a guerra. O meu país, diz, ou ameaça a liberdade ou vai para a guerra em nome dessa palavra.

12h04: A moderadora faz as apresentações e sublinha as relações da poesia com o poder.

12h03: Ideias chaves: Desaparecida das livrarias, será que a poesia ainda é o que era ou já não somos um país de poetas? Que qualidade tem a poesia no país dos poetas sem qualidades?

12h02: Participantes: Barry Wallenstein, Fernando Pinto do Amaral, Francesco Benozzo, Jaime Rocha, João Carlos Abreu, Yang Lian e moderação de Donatella Bisutti.

12h01: Tema: Éramos violentos e não sabíamos.

12h00: Tudo pronto para a Mesa 3 do Festival Literário da Madeira.

Coisa bonitas da Madeira

Poder conhecer, falar e cumprimentar a Ana Teresa Pereira.

Mesa 2 do FLM

11h35: O Festival prossegue daqui a 15 minutos com a mesa 3.

11h34: A moderador fecha a sessão, sintetizando as ideias principais.

11h32: Prestar atenção também ao nome do autor, que é a obra que tem atrás dele. No fundo, é pesar várias coisas. Pôr-me no lugar de comprador de livros e ver o que compraria.

11h31: Patrícia Reis pergunta a Eduardo Pitta que critérios usa na sua crítica. Resposta: equilíbrio entre o meu gosto pessoal e editorialmente importante. Se uma grande tradução, por exemplo, é publicada em Portugal, não se pode esquecer esse livro. E os autores portugueses não podem ficar esquecidos.

11h29: Antes do 25 de Abril havia programa fantástico, do Vitorino Nemésio. Se calhar precisamos de um comunicador do género José Hermano Saraiva que, em vez falar de castelos, fale de livros.

11h28: Fala Eduardo Pitta. Às vezes, na televisão, falamos com pessoas que não fazem a mínima ideia que não sabem o que eu escrevi.

11h26: Nós nunca sabemos o que interessa às pessoas. O Hermínio da Assírio quando publicou os poemas de Santa Teresa de Ávila tinha muitas dúvidas. Mas vendeu imenso, o que era difícil de prever. Se fosse tudo previsível isto não tinha tanta piada.

11h23: Pergunta de Fernando Pinto do Amaral. A televisão vai atrás do que era conhecido. Quando foi lançado um livro sobre a minha mãe, uma pessoa muito conhecida na sua época, fui a todas as televisões. Mas e os outros livros?

11h22: Já ninguém quer ouvir debates de política, prossegue ainda Inês Pedrosa. A literatura fala do drama da existência.

11h21: Escritores que não querem leitores, cineastas que não querem espectadores. Isso é quase a caricatura.

11h20: A televisão, os políticos usam-na, porque a dominam.

11h18: Inês Pedrosa pergunta a Júlio Magalhães: Quantos autores tentaste levar à televisão do Marcelo Rebelo de Sousa e não conseguiste? Digo isto porque o Eduardo Prado Coelho passou anos a tentar vender programas de cultura à RTP e nunca conseguiu. E hoje o cenário não é muito diferente.

11h16: A televisão domina as pessoas, mas são as pessoas que têm de a dominar, diz Júlio Magalhães.

11h14: Conversa sobre livro e a televisão e audiências.

11h11: Ana Margarida Falcão pega na deixa e lembra o programa O Sofá Vermelho, que havia depois do telejornal. Um programa simples desse género seria muito bom. Uma coisa simples para uma grande diversidade de público.

11h10: As pessoas estão à distância de um click.

11h10: Às vezes os autores também se afastaram dos leitores.

11h09: Muito do sucesso dos meus livro tem a ver com a minha presença na televisão.

11h08: A TVI tem um slogan que é: uma televisão feita por si. Se fugimos da televisão, ela fica nas mãos de quem procura 15 minutos de glória. O divórcio entre literatura e escola e literatura e televisão tem sido prejudicial para todos.

11h07: Não podemos fugir da televisão. É preciso saber usá-la. Claro que se pode argumentar com as audiências da RTP2.

11h05: Ontem, no grande espectáculo de poesia que vimos aqui, os poetas mostraram-se todos receosos. Dizia depois que não gostam de aparecer, dizer os seus poemas. Mas ficaram orgulhosos pelas suas prestações. Afinal, isto não é tão difícil.

11h04: É preciso saber usar a televisão. Os político são profissionais a usar a televisão, para passar mensagens. Outras áreas que não quiseram usar a televisão, talvez por medo.

11h03: A televisão acabou por destruir um pouco a crítica literária. A literatura não soube usar a televisão. A televisão não pode ser uma coisa para as pessoas como algo que tivesse lepra.

11h03: Nos livros também acontece porque caiu-se no erro de dar estrelas. Acabou a narrativa sobre os livros.

11h02: As pessoas desconfiam da crítica literária, porque durante muitos anos ela foi dirigida e fechada. Às vezes andam a contra-círculo. Quando dão más criticas, vende-se. E vice-versa. Nos livros e no cinema.

11h01: A crítica literária desapareceu um pouco. Dedica-se sobretudo a nichos. Fala para pessoas que já gostam de ler.

11h01: Continuo a achar que qualquer um pode escrever. É o instrumento mais democrático do mundo. Está ao alcance de todos. E entramos na livraria e temos total liberdade para escolher.

11h00: Li esse livro na escola. Mas hoje quantos alunos podem enumerar um livro que os tenha marcado na escola? Há um divórcio que é preciso resolver.

10h59: Não será o tempo que vai dizer quem ficará para a história, mas as pessoas. O primeiro livro que me marcou profundamente foi Os Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes.

10h58: Portugal sempre foi pobre e sempre viveu em crise. Apenas fomos iludidos nos últimos anos. A nossa grande riqueza é a história e a cultura portuguesas, que temos esquecido na voragem material.

10h57: Eu não sou escritor, mas jornalista. Venho a estas coisas para aprender umas coisas também.

10h56: Entra em campo Júlio Magalhães.

10h55: Ana Margarida Falcão pede a palavra. Diz que o cânone pode ser visto de várias maneiras. Em Portugal, há quem considere do cânone só Camões e Pessoa. E quem em relação a outros autores não temos ainda o distanciamento.

10h51: Leitura de outro excerto.

10h50: A crítica ao longo da história criou seguramente muitas gripes das aves. Valorizou autores que não tinham essa importância.

10h48: Lê o excerto do livro intitulado A conquista da felicidade.

10h46: A crise às vezes também se deve ao foco que lhe damos. Ela não acaba se não pensarmos nela, mas se calhar não precisamos de lhe prestar tanta atenção.

10h46: Afonso Cruz pede ajuda ao livro de Paul Watzlawick, A Realidade é Real?, para continuar.

10h45: Tanto na crise, como na crítica, tudo tem a ver com a percepção.

10h44: Também na Madeira não são os viadutos que impressionam, mas por exemplo a artista Carla Cabral, uma das melhores.

10h43: Se pensarmos em Espanha, o que nos vem à cabeça se calhar é o Cervantes ou o Picasso. A riqueza é mais essa do que outra qualquer. Isto não invalida que haja crise.

10h42: O ano passado foi um grande festival, apesar de ter participado. Espero que este ano seja, apesar de eu participar outra vez.

10h42: A vez de Afonso Cruz.

10h41: O que esses novos poetas trouxeram foi uma nova linguagem.

10h40: Foram alguns poetas, como o Nuno Júdice ou Joaquim Manuel Magalhães, que obrigaram a uma nova perspectiva da poesia.

10h38: Se pensarmos quem era o cânone no dia 24 de abril de 1974 e dois anos depois, houve nomes que desapareceram. Porque o cânone corrigiu-se tanto, teve uma guinada ao centro, que deixou de lado autores de esquerda e não só.

10h38: Nos anos 60 houve muita influência do estruturalismo e dos poetas da Poesia 61. Depois do 25 de abril foi o tempo da crítica empenhada. Houve muita confusão. Até para instituir um novo cânone.

10h37: A partir de anos 50 a crítica literária deu um pulo. Deve-se a professores universitários, como Óscar Lopes.

10h36: A crítica literária em Portugal, sobretudo até à primeira metade do século XX, era feita por jornalistas. Aliás, a palavra certa é publicistas.

10h35: Associo sempre a actividade de escritor à de crítico, até porque em Portugal não dá para viver só da literatura.

10h35: Cada um tem a sua profissão e tem de dar sempre o máximo.

10h35: Um escritor é um profissional, como um médico ou calceteiro.

10h34: Dessacralizo completamento a literatura, embora seja a minha vida.

10h33: A bola passa para Eduardo Pitta. Agradecimentos aos organizadores.

10h32: Por mais lojas de hambúrgueres, haverá sempre um português a gostar do seu cozidinho.

10h31: A influência da crítica. É um tema que me parece que tem a ver com a globalização. Há sempre uma imposição geral. E uma reacção de uma pessoa ou grupo minoritário que quer manter a sua identidade.

10h30: A literatura talvez tenha sido sempre isso: um sobe e desce de valores, novos valores, nomes. Há imensa gente a escrever. E isso é uma enorme dificuldade de selecção.

10h28: O aproximar os autores do público, com humor e graça, é bom porque se dá a conhecer novos autores, como se tem feito neste festival. E também é bom para desmistificar o papel do escritor.

10h27: Pergunto-me também onde poderá um jovem encontrar referências a outros livros? Na livraria não encontra. Aí há best-sellers, grandes vendas. E as páginas nos jornais dedicadas à cultura são cada vez menos.

10h26: Mas ao mesmo tempo também me preocupa o facto de hoje os jovens que chegam às universidade não conhecerem o que se publicou antes de 1950. A crítica aí não cumpriu o seu papel.

10h25: Hoje isso nas universidade já é recusado. Há outros critérios.

10h24: Essa crítica acabou por influenciar, sobretudo no final do século XIX de influenciar o poder político e formar o cânone.

10h24: A crítica era exercida por muito intelectuais e escritores que levavam ao estabelecimento de um grupo quase fechado onde era impossível entrar.

10h23: A crítica foi - e não será ainda - responsável por uma sacralização da literatura.

10h22: Começa Ana Margarida Falcão.

10h20: Sartre dizia que a leitura é como um pião, só existe em movimento, cita a moderadora.

10h19: A moderadora lança as pistas do tema. Somo pobres? A crítica literária cumpre o seu papel? A importância da leitura.

10h18:



10h17: A moderadora apresenta os convidados.

10h15: Começa a sessão.

10h12: Notícia de última hora, fora festival: concretiza-se o negócio de compra da Assírio & Alvim por parte da Porto Editora.

10h12: Um compasso de espera até a sessão começar.

10h08: Participantes: Afonso Cruz, Ana Margarida Falcão, Eduardo Pitta, Júlio Magalhães e moderação de Ana Isabel Moniz.

10h07: Explicação do tema: Como a crítica literária (não) influencia os leitores, com pouco espaço na imprensa, com a queda de venda dos jornais, será que os críticos ainda funcionam como agências de notação literária?

10h07: Tema: Éramos poors e não sabíamos.

10h06: Voltamos a entrar em campo minuto a minuto para mais uma mesa, a segunda, do Festival Literário da Madeira.

10h06: Bom-dia.

Friday, March 16, 2012

Mesa 1 do FLM

19h40: A ditadura do discurso económico e da troika e o papel do intelectual escritor foram os temas fortes desta mesa, que decorreu em tom de conversa. Não houve intervenções individuais. Pontos de vista diferentes sobre uma realidade actual que, segundo estes escritores, não fazia mal nenhum saltar para as páginas da ficção.

19h39: Fim da sessão.

19h37: Se até a Bíblia diz que a usura é algo condenável, se o maior best-seller diz isto, de que estamos à espera? Como se gritava há 20 anos: Não pagamos.

19h37: Para terminar, pede-se uma nota alegre a Pedro Vieira.

19h35: Fajardo lembra Karl Kraus: Os homens toleram fazer a guerra mas não tê-la feito.

19h34: A troika não são mais representantes de quem fez especulação, atira Rui Nepomuceno.

19h31: Fajardo: Tudo foi reduzido a uma mercadoria.

19h28: Agostinho da Silva dizia que Cultura é comer bem, vestir bem e ter onde dormir. Sem isso, não se tem nada, adianta Patrícia Reis.

19h26: Conversa sobre a educação dos filhos. O que devem fazer?

19h23: O que a troika faz é pressionar as pessoas e levar os mais jovem a dizer: o futuro é um país lá longe.

19h22: Patrícia Reis, citando David Lodge: Os escritores são quem melhor espelham o seu tempo.

19h20: Continua o escritor espanhol. Temos de ouvir opiniões diferentes. Não há uma só visão dos acontecimentos. Temos de combater a ideia da troika segundo a qual a crise é isto, por causa disto e por isso é preciso fazer isto.

19h19: Fajardo: Um humorista espanhol dizia que: Temos de escolher entre a crise e o caos. Então o caos. Vai dar ao mesmo.

19h18: O tema era a felicidade. E é muito interessante como veio parar aos intelectuais, brinca Fajardo.

19h15: Rui Nepomuceno: Também tenho escrito para jornais e sinto isso.

19h13: Fajardo lembra que trabalha nos jornais há 32 anos. E diz que imprensa livre não existe. Não conheço nenhuma. Que jornalista pode confrontar o seu conselho de administração?

19h11: Patrícia Reis diz: Uma vez escrevi uma crónica sobre Angola. E duas semanas fui despedida. Nem sempre é fácil.

19h09: Fajardo: A ideia de intelectual escritor tem o seu exemplo maior a Émile Zola, de denúncia pública. É esse o modelo.

19h08: Procura entrar no sistema do discurso para o poder atacar.

19h06: Às vezes perguntam-me se não devia fazer crónicas mais literária, à Lobo Antunes. Mas eu acho que os intelectuais quando são chamados à comunicação social e aceitam devem ter uma intervenção pública crítica. Para que não haja sempre as mesmas ideias.

19h05: Os intelectuais saíram de cena. E é pena.

19h04: Escolhermos sexo branco ou sexo de marca é uma atitude política.

19h03: Interessa perceber que as coisas humanas são muito semelhantes.

19h02: Há uma ideia de felicidade terrena, de facto. Mas é preciso saber apanhar o que vai acontecer e apanhar o que já aconteceu.

19h0: Todos os temas já foram tratados. Estamos sempre a começar e a esquecer. A não cultivamos a memória histórica.

19h00: A questão é: hoje temos a oportunidade de estarmos dentro e fora do nosso tempo, estar aqui e agora e ver o tempo antigo.

18h59: Mensagem ou estética?

18h58: Mas a literatura de meio termo nunca será. É o tal produto branco.

18h57: Inês Pedrosa concorda. Diz que o realismo socialista levado ao extremo denegriu o papel do intelectual. Por outro lado, também houve um isolamento da universidade, para evitar essas contaminações ideológicas.

18h56: De encontro literário para encontro literário, José Manuel Fajardo melhora o seu português, ele que mora em Lisboa, com a sua mulher, a escritora Karla Suárez.

18h56: Não falo de realismo social. Mas há muitas maneiras de viver que estão prestes a desaparecer na europa. O mundo campesino, por exemplo.

18h55: A bola passa para Fajardo. No século XX fizeram-se coisas extraordinária. O Realismo, como uma explicação do mundo. E uma literatura quase autista. Entre uma e outra temos de tirar algumas ilações.

18h54: Às vezes é possível conseguir conciliar as duas coisas.

18h54: Melhor quadro de Picasso. Guernica.

18h53: Com todo o direito de fazerem arte pela arte, se o escritor acrescentar à arte formal um contributo para mudar a sociedade cumprirá bem a sua função.

18h52: Rui Nepomuceno: O escritor deve procurar acima de tudo uma grande beleza formal. Falar dos problemas da sociedade, mas tratar bem a língua. Mas um escritor num momento destes, olha para a sua barriga e fica quieto? Não procura analisar o que se passa?

18h51: Uma mesa em ping-pong. Cada um pede a palavra.

18h50: O nosso problema é este, diz Inês Pedrosa. O nosso Presidente da República acha que a Utopia foi escrita, não pelo Thomas More, mas pelo Thomas Mann. Pelos alemães. Pela visão da troika.

18h49: Como escritores temos uma certa responsabilidade, não na crise. Apenas fomos um bocadinho estúpidos. Vamos levados levar por esse constante consumir. Hoje temos a responsabilidade de entrar na maneira de viver das pessoas e dar a ver como se vive hoje em dia. Tem de haver uma parte da literatura que faça isso. É um instrumento fundamental para mudar o discurso da explicação da crise.

18h48: E a Utopia é um livro. O que nos leva à escrita, que é uma procura dessa felicidade.

18h46: Todos damos por natural o direito a sermos felizes antes de mortos. Antes, era depois. Esta ideia  muito moderna, não tem mais de cinco séculos. Tem a sua origem na descoberta da América e da Utopia de Thomas More. Aí se plasma pela primeira vez a ideia de felicidade antes da morte.

18h45: Se escrevemos melhor ou pior com a crise. É como o sexo. Com ou sem crise, escrevemos sempre. Às vezes melhor, às vezes pior.

18h44: Fajardo diz que não há solução. É o tal discurso sobre a crise e sobre nós próprio. Se consumimos é porque consumimos. Se não consumimos é porque não consumimos. As mesmas razão que levam à crise são apresentadas para solucionar a crise.

18h43: Conversa sobre a quantidade de casas e telefones dos portugueses. Crítica ao consumismo.

18h42: Há livros que são escritos em alturas de grande sofrimento.

18h41: Vivemos períodos muitos complicados na nossa história. Há o papão da troika. E deixa-nos menos criativos, não. Mas deixa-nos mais instáveis. E a comunicação social tem alguma culpa. Não há uma boa notícia.

18h40: Patrícia Reis discorda de alguns aspectos. Diz que para trabalhar é preciso alguma tranquilidade. E a crise interfere muito na vida de um escritor.

18h38: Para acabar, quero citar o Olli Rehn, que diz: "A Europa continuará a ajudar portugal". Como escritor isto é muito mau. Mas como ficcionista é muito bom.

18h38: Esta semana aprendi muita coisa.

18h37: Não sabia: em grego, crise quer dizer decisão. E em alemão, culpa.

18h37: Gargalhadas na plateia.

18h36: Num estudo da colecção de ensaio de pingo doce li que em tempos de crises se consome mais marcas brancas. Mas isso é mais difícil na literatura. Quer dizer, pode dizer-se que José Rodrigues dos Santos é uma marca branca do Dan Brown.

18h35: A crise é boa para os artistas de variedades e humor. Não é boa para a literatura que têm de parecer mais sérios. A não ser que saibam brincar com isso.

18h34: É difícil elaborar uma tese em relação a sermos felizes ou infelizes literariamente com ou sem crise.

18h33: Mas quando se publicou melhores romances, antes ou depois do 25 de abril. Há bons autores antes e depois.

18h33: Uma felicidade minha. Não ter vivido durante a ditadura.

18h32: Fiquei assustado. Porque momentos maus só quando o meu tio deu uma chapada ao meu pai. Virou sem-abrigo até voltar a morar lá em casa. Será que chega?

18h31: Infância felizes não fazem bons romancistas, dizia a Rosa Montero. E dava exemplos.

18h30: Pedro Vieira's turn: Agradecimentos iniciais. Nunca pensei estar num palco tão bonito, com tantos veludos. Pelo menos antes de morrer.

18h29: Temos de esperar que a autonomia regressa, seja acompanhada de Democracia, que nem sempre houve, e de Cultura.

18h29: Sermos mais ou menos felizes, depende de nós. Sou optimista. Já enfrentámos coisas piores. E um optimista é sempre feliz.

18h28: Eram outros tempos. Até deu para esconder um buraco financeiro.

18h28: Mas brincando um pouco, antes da Troika, havia outras formas de alegria. Os bancos andavam atrás de nós. Só queriam emprestar dinheiro.

18h27: Sem Cultura as pessoas não participam.

18h27: Mas esse não desenvolvimento da Cultura não foi bom. Todo o dinheiro que se aplica na Cultura dá retorno.

18h27: Aí houve uma espécie de felicidade colectiva. Mas neste processo houve uma coisa que foi esquecida. A Cultura. Conseguimos montar uma universidade.

18h26: Depois do 25 de Abril isso mudou e até aumentou com os financiamentos da Europa. Isso deu origem um crescimento. Regionalizou-se os serviços, salvo algumas excepções. Passámos a gerir os nossos interesses.

18h25: Com a autonomia vem o crescimento material. Antes do 25 de Abril 2/3 das receitas iam para o continente. Era quase uma situação colonial.

18h24: Desde o tempo dos meus avós que lutámos por Democracia e Autonomia. E essa autonomia trouxe alegria? Eu julgo que sim.

18h23: Referência ao 25 de Abril como se viveu na Madeira. Com a Revolução conseguimos felicidade.

18h22: É a vez de Rui Nepomuceno. Venha o bonito sotaque madeirense.

18h21: Citação de Fernando Savater: Dizem que o mundo está muito mal, mas eu recusava-me a nascer antes da invenção da anestesia.

18h20: O slogan do Pessoa é, por isso, muito bom. Ele hoje ganharia muito dinheiro em publicidade. Éramos felizes e não sabíamos. Só somos felizes nos intervalos. Não nos apercebemos dela.

18h19: Estamos no domínio do discurso económico, morreram os desuses, embora nem todos. E ouvimos os novos deuses, os economistas, e eles só dizem banalidades.

18h18: Outra citação de Inês Pedrosa, agora de Antonio Tabucchi: O medo é a infelicidade, a infelicidade é o medo.

18h17: Vergílio Ferreira dizia: A felicidade não está em nós mas no que acontece em nós desse acontecer.

18h17: Já fiz a experiência. Como é que estás? Estou óptima, digo eu. As pessoas ficam ofendidas.

18h16: Em Portugal é frequente perguntar-se: como estás? Vai-se andando, responde-se. Fomos pessimistas, ao contrário dos Espanhóis. Mas também não tivemos grandes catástrofes, como a Guerra Civil Espanhola. Moderados no bom e na tragédia.

18h14: Quando se ouvem discurso políticos muito eloquentes, será que as pessoas acreditam mesmo isso? O que me leva perguntar: será que se não vivermos no dia a dia seguindo o que acreditamos podemos fazer algo de melhor pela sociedade?

18h13: Entra em campo Inês Pedrosa. "Não sei se Marx contribuiu para a felicidade colectiva. Tentou criar regras para a distribuição colectiva, apesar das posteriores utilizações totalitárias. Mas mesmo ele que se preocupava com os outros cuidava muito mal dos da sua família".

18h12: "É desta percepção que nasce o sentimento de felicidade ou não da vida. O relato ou discursos, como contamos a vida a nós próprio, é importante para nos sentirmos ou não felizes. O mesmo aplica-se a uma sociedade".

18h12: Fajardo continua: "Quando falamos de felicidade falamos da nossa percepção da vida".

18h11: "É preciso distinguir a felicidade pessoal e a colectiva. Uma amiga minha dizia que quando era pequena, durante a Guerra Civil Espanhola, era muito feliz, por mais contraditório que possa parecer. O mundo para as crianças é livre. Por issso, é possível ser feliz em momentos muito trágicos.

18h10: Afinal, todos vão responder à pergunta. Fajardo diz que os espanhóis têm muita capacidade de rir, mas que isso pode ser uma máscara.

18h09: Patrícia diz que podemos continuar a ser felizes se quisermos. A vida toda ouviu falar de crise.

18h08: O moderador pergunta se a palavra é felicidade ou insuffisance.

18h07: Começa Patrícias Reis.

18h06: Vai começar. Castanheira da Costa apresenta os convidados.

18h05: Um ligeiro atraso para deixar entrar alguns espectadores.

18h04:



18h02: Os convidados são Patrícia Reis, José Manuel Fajardo, Inês Pedrosa, Rui Nepomuceno, Pedro Vieira e moderação de Castanheira da Costa.

18h01: O tema é Éramos felizes e não sabíamos.

18h00: Tudo apostos para o início da primeira Mesa do Festival Literário da Madeira.

Enquanto a sessão da tarde não começa


E já a pensar no Super Bock Super Rock. 

Thursday, March 15, 2012

Minuto a minuto: Sessão de abertura do FLM

19h03: Alguns livros da escritora estão à venda no foyer do Teatro Baltazar Dias, para que o prazer de descobrir Agustina possa ser continuado no silêncio da leitura.

19h02: Boa sessão de abertura. Sala cheia (cerca de 150 pessoas), um óptimo espaço e uma bela homenagem a Agustina Bessa-Luís.

19h02: O Festival regressa amanhã, com a primeira mesa redonda.

19h01: Fim da excelente intervenção de Inês Pedrosa. Aplausos do público.

19h01: É sem dúvida uma escritora de dimensão internacional. Pena que Portugal não tenha sabido divulgá-la em todo o mundo. Leiam-na.

19h00: António José Saraiva: Agustina é o segundo milagre do século XX português, depois de Fernando Pessoa.

18h59: Muitas das suas crónicas estão por publicar, espero que por pouco tempo.

18h57: As suas recorrentes considerações sobre a emancipação das mulheres só aparentemente são conservadoras.

18h56: Há uma alegria, uma alegria do mundo. Este é o seu dom. Maravilha e maldição que parece nascer pronta. Uma disciplina do optimismo que se lança sobre a vida. Podemos discordar dela, mas nunca saímos dos seus livros sem sermos contagiados pela sua inteligência.

18h55: Agustina sempre foi capaz de escrever sobre todos os temas e confere a todos os temas o mesmo grau de dignidade.

18h55: A sua última intervenção política, para espanto de muitos que a arrumam na prateleira da direita,  foi a favor da Interrupção Voluntária da Gravidez.

18h54: Disse muitas vezes que se não fosse escritora seria uma grande política, talvez primeira-ministra.

18h53: "Aquilo que mais gosto no Judeu é a Incerteza apaixonada", dizia Agustina.

18h53: "A vida é feita de arrumações que não são nossas", escreveu Agustina.

18h52: No mundo de Agustina, o tempo é o menor dos escultores.

18h51: Sobre um estilo que só na aparência é clássico, a autora estilhaça todas as convenções da criação de personagens e do desenvolvimento da acção.

18h49: Era consciente que os casamentos se mantêm no equilíbrio entre confiança e paixão. É preciso dedicação.

18h48: Casaram sozinhos, sem a presença dos pais dos noivos, Alberto Luís, que não eram a favor daquela precipitada relação. Viveram um amor feliz.

18h47: Aos 20 anos, decidiu tomar em mãos o seu próprio destino: pôs um anúncio no jornal pedir encontro com um homem inteligente e sensível.

18h47: E gostava também de filmes. Ocorreu-lhe casar com Orson Wells. Mas desistiu quando soube que ele tinha acabado de casar. Nunca fui de destruir casamentos, dizia.

18h46: Como todas as meninas quis ser bailarinas. Mas de cabaret.

18h45: Aceitou o catolicismo da mesma forma que aceitaria o islamismo se tivesse crescido no mundo muçulmano.

18h44: Teve sempre com Deus uma relação cautelosa.

18h43: A mãe justificou o acto com a maior fortuna da filha: a inteligência. E Agustina sempre preferiu o conquistado ao dado.

18h43: Um avô paterno deixou-lhe uma grande fortuna num testamento que a mãe rasgou.

18h41: Pai tão terno quanto distante.

18h40: Recordação da biografia da escritora. Em pequena, lia muito. Não se destacava entre as colegas que tinham melhores notas, menos em português.

18h40: Agustina parece sempre ter sabido viver dentro e fora do tempo, numa espécie de laboratório científico da alma.

18h39: Abre-se ao acaso qualquer livro de Agustina e encontramos sempre uma frase que nos toca. O génio de Agustina está na capacidade de criar instalações estética de grande arrojo.

18h38: Não é por acaso que os nossos maiores cineastas se interessam pelos seus romances. As suas personagens convocam esse poder das imagens inesquecíveis.

18h37: Um ensaio potente sobre Portugal e os portugueses. Uma reflexão lúcida sobre as motivações profundas e as escolhas políticas da humanidade. É sempre de relações humanas que nos fala. Do desespero mas também da alegria do mundo.

18h36: De livro para livro a mão foi-se tornando mais leve, a escrita mais certeira. Os seus últimos romances usam uma linguagem cada vez mais transparente e rápida, como se conhecesse um atalho para a verdade.

18h35: Agustina: uma pensadora de todas as coisas por pensar.

18h35: "Escrevo para desiludir com mérito", dizia Agustina.

18h34: "Escrevo para incomodar o máximo de pessoas com a maior inteligência".

18h34: Só os títulos já são todo um programa.

18h33: Agustina começa sobretudo por um olhar, um luminoso olhar de raio X. Que começa por uma paixão pela alma humana, com um humor libertino e uma paixão cristã.

18h32: "Desde criança que não causo uma impressão amigável", como reconhecia. Isto porque é inesquecível.

18h31: Agustina caça esse lugar de todos os lugares que é o desespero humano. O desespero maquilhado em festa. Por isso gostou tanto de frequentar festivais e festas. Não só artísticos. Recordo uma crónica sobre cardiologia. São microcosmos práticos do teatro humano.

18h30: A sua intervenção, de facto, foi sempre da ordem do milagre. Agustina não sabe escrever mal. E sabe escrever bem. Escrever bem é ter algo para dizer e saber dizê-lo com frases que se nos cravam na pele.

18h30: Agustina teve sempre uma capacidade rara de se dizer em verdade. "Eu sou uma virtuosa. Espero quando morrer poder começar a fazer milagres", dizia a Agustina.

18h29: Tudo o que Agustina não disse sobre si mesmo está nos seus livros.

18h29: A literatura é um ilha de amores e desastres, como todas as ilhas.

18h29: O que trata este livro é o sentimento insular que se instala no uso da saudade.

18h28: Celebremos do romance sobre a Madeira. Um romance feminista, talvez de forma mais clara do que em outros livros.

18h27: Fanny Owen devia ser a introdução escolar da Agustina. Os seus livros exigem alma, mas não pergaminhos académicos. São difíceis, mas podem usar-se como missais inquietantes.

18h26: A escritora amou tanto esta ilha que lhe dedicou um dos mais belos romances, A Corte do Norte.

18h26: A ilha secreta de Agustina, título da conferência.

18h25: "Camaradas de escrita. É uma expressão que devia ser recuperada".

18h24: "Aqui, no Festival Literário da Madeira, ouve-se falar em crescer e sonhar e ir mais longe. Isto é muito bom".

18h23: Conferência de Inês Pedrosa.



18h22: Fim da reportagem. Aplausos do público.

18h20: "A minha mãe tinha um gato que se punha em cima das sanefas e que atacava as pessoas de quem não gostava. Era como ter uma fera dentro de casa. Havia sempre esta relação da minha mãe com os gatos muito intensa, quase felina" (Mónica Baldaque).

18h18: "Nos inéditos, aparecem romances de uma página." (Alberto Luís).

18h15: "Vejo um papel em branco e apetece-me escrever" (Agustina Bessa-Luís)

18h14:


18h11: Projecção da reportagem de Maria João Costa e Joana Beleza, da RR, sobre O Mundo de Agustina Bessa-Luís.

18h10: Intervenção de Teresa Brasão, directora do Teatro Baltazar Dias.

18h09: A cultura é bela, é beleza, mas também riqueza económica. Quem não entende isto não é uma pessoa culta. Quero abrir este Festival celebrando a Cultural, algo onde se pode ter esperança.

18h08: Pelo contrário, o investimento deve ser nessa área. Um cidadão instruído é um garante da democracia.

18h07: Quando se diz que a única solução é cortar na cultura, no ensino, tudo segue uma direcção errada.

18h06: Na Europa, só nos resta comprar ideias, porque tudo o resto é feito noutros continentes.

18h05: O Ocidente deve desenvolver um modelo económico diferente, assente nas indústrias culturais.

18h02: Intervenção de Francesco Valentini, da organização, sobre o tema de Economia e Cultura.

18h01: A poetisa convida os presentes para a sessão de poesia amanhã à noite.

18h00: Intervenção da italiana Donatella Bisutti, poeta e ficcionista.

17h59: Agradecimentos aos 23 escritores convidados, incluindo ao "melhor escritores chinês da actualidade". Para a organização, todas as primaveras "vai vir charters de leitores". Um festival para combater a austeridade.

17h58: "Este ano, o Festival Literário da Madeira tem mais dias, mais escritores e mais visitas a escolas".

17h57: "É possível olhar para a Madeira como destino Cultural e dinamizar a economia local".

17h55: Discurso de boas-vindas por Paulo Ferreira.

17h48:


17h45: A sala começa a compor-se, depois de um compasso de espera.

17h44: Tudo a postos no Teatro Baltazar Dias, no Funchal, para a Sessão de Abertura do Festival Literário da Madeira.

Na Madeira, paragem obrigatória

Nos livros e livros e livros e muitos livros da Livraria Esperança. 

O mundo de Agustina


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Rádio RenasceçaMais informação sobre este video

A propósito da conferência de abertura do Festival Literário da Madeira dedicada a Agustina Bessa-Luís e a cargo de Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, vale a pena ver este extraordinário trabalho multimédia da Rádio Renascença em casa da autora de Sibila. Uma reportagem de Maria João Costa e Joana Beleza, que em antena passou no programa Ensaio Geral.

Festival Literário da Madeira 2012 arranca hoje



O universo de Agustina Bessa Luís é o tema da conferência de abertura do Festival Literário da Madeira, cuja segunda edição decorre a partir de hoje, quinta-feira, 15, até domingo, 18, numa organização conjunta da Booktailors - Consultores Editoriais e da editora Nova Delphi. Os romances e as referências da escritora, Prémio Camões em 2004, serão revisitados por Inês Pedrosa, a partir das 18 e 30, no Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal, onde decorrerá o encontro, que reúne 23 autores portugueses, espanhóis, cubanos, italianos, norte-americanos e chineses. “Nasci adulta e morrerei criança” é o ponto de partida para esta viagem conduzida pela diretora da Casa Fernando Pessoa, com paragem obrigatória pelo romance A Corte do Norte, passado justamente na ilha da Madeira. 
Fernando Pessoa é, por sua vez, o mote para as cinco mesas redondas que se realizam nos restantes dias do Festival. É seu o verso que será glosado sobre diversas perspetivas e que surge logo na primeira mesa, a 16 de março, às 18 horas: Éramos felizes e não sabíamos. Aqui pretende-se saber “como a troika influenciou os nossos dias”, questionando até que ponto a atual conjuntura económica vai redefinir a criação literária em Portugal ou se os cortes nas finanças dos portugueses conduzirão a uma maior iliteracia. Inês Pedrosa, José Manuel Fajardo, Patrícia Reis, Pedro Vieira e Rui Nepomuceno são os escritores convocados para esta reflexão.
As mesas-redondas regressam no dia seguinte, 17. Às 10 da manhã, com Éramos poors e não sabíamos, para perceber, na companhia de Afonso Cruz, Ana Margarida Falcão, Eduardo Pitta e Júlio Magalhães, “como é que a crítica literária (não) influencia os leitores e se com pouco espaço na imprensa, com a queda de vendas dos jornais, será que os críticos ainda funcionam como agências de notação literária?”. Às 11 e 45, é a vez de Barry Wallenstein, Fernando Pinto do Amaral, Francesco Benozzo, Jaime Rocha, João Carlos Abreu e Yang Lian falarem a propósito da ideia Éramos violentos e não sabíamos, que tem o seguinte guião: Como a poesia pode mudar a nossa vida? Desaparecida das livrarias, será que a poesia ainda é o que era ou já não somos um país de poetas? Que qualidade tem a poesia no país dos poetas sem qualidades?”
Da parte da tarde, às 15 e 30, a mesa Éramos piegas e não sabíamos reúne Joel Neto, Manuela Ribeiro, Paulo Sérgio BEJu e Valter Hugo Mãe para discutirem de que forma “a lamechice influenciou a nossa literatura, se somos um povo de escritores e romances piegas, se a lamúria afadistada sempre encontrou terreno fértil na literatura ou se os nossos heróis sofrem e choram muito?” E, às 17 e 30, Francisco José Viegas, Graça Alves, José Mário Silva e Karla Suárez debruçam-se sobre os clássicos, a inovação, a reinvenção e a repetição em Éramos originais e não sabíamos.
A par destas mesas-redondas, o Festival Literário da Madeira inclui no seu programa cinco visitas às escolas da Madeira (Bispo D. Manuel Ferreira Cabral, Francisco Franco, Carmo, Calheta e Gonçalves Zarco) e à sua Universidade. Na noite de 16 de Março, às 21 e 30, realiza-se, também no Teatro Baltazar Dias, uma sessão de música e poesia coordenada por Donatella Bisutti e com performances de Barry Wallenstein, Francesco Benozzo, Massimo Cavalli e Yang Lian.
“Pôr os madeirenses em contacto direto com alguns dos principais escritores nacionais e estrangeiros” é um dos objetivos principais do Festival Literário da Madeira que, num ano de dificuldades financeiras, quer “troikar as voltas à crise”. Para isso, procurará “dinamizar a economia local e evidenciar o arquipélago da Madeira como destino cultural”, ao mesmo tempo que se afirma este encontro como “uma das referências do calendário editorial português”.