Thursday, February 23, 2012

Programa do dia: 17h - 1ª Mesa A escrita é um risco total, com Almeida Faria, Ana Paula Tavares, Eduardo Lourenço, Hélia Correia, Rubem Fonseca e José Carlos de Vasconcelos, no Auditório Municipal da Póvoa de Varzim.

Diário das Correntes

Programa do dia: 15h - Conferência de Abertura por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, apresentado por José Carlos de Vasconcelos, no Auditório Municipal da Póvoa de Varzim. 

Diário das Correntes

Rubem leu e o Cadeirão Voltaire filmou tudo. Para ver aqui

Diário das Correntes


Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.

Soneto de Camões lido por Rubem Fonseca na sessão de abertura das Correntes d'Escritas. 

"Eu amo a Língua Portuguesa"


"Eu amo a Língua Portuguesa", disse Rubem Fonseca no discurso de agradecimento do Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas. Ou melhor: não o disse. Afirmou. Declarou. Quase que gritou. Cerrou o punho, olhou a plateia e repetiu: "Eu amo a Língua Portuguesa". E explicou porquê. Falou dos livros que tinha na casa do seu pai e de como eles o ligaram a Portugal, país que diz também adorar - "Tenho orgulho em ter sangue português", disse. Lembrou o poema Melro, que o seu pai recitava de cor e que tanto o impressionava. E referiu ainda o pequeno almoço de hoje de manhã, em que teve oportunidade de ler, no mesmo idioma, versos de autores brasileiros e africanos. É esta língua comum, que nos une e nos liga, que comove e apaixona Rubem Fonseca. Para o provar, pediu licença para ler um soneto de Camões. 

Diário das Correntes


Com o livro romance Bufo & Spallazani, o escritor brasileiro Rubem Fonseca é o vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa. A decisão coube ao júri constituído por Ana Paula Tavares, Patrícia Reis, Pedro Mexia, José António Gomes e Fernando Pinto do Amaral

Acta do júri no site do JL, aqui.

Diário das Correntes 3

Programa do dia: 11h: Sessão oficial de abertura, com anúncio dos vencedores dos prémios do encontro e lançamento da revista Correntes d’Escritas dedicada a Eduardo Lourenço.


Diário das Correntes 2



Rubem Fonseca está cá (já o cumprimentámos). Fez boa viagem. Está contente com tanta atenção e entusiasmo à sua volta. E à chegada ao hotel das Correntes, depois de ver a capa do JL, disse: "Tenho de comprar uma máscara".

Diário das Correntes 1



De regresso à Póvoa de Varzim, até Sábado, para mais uma edição das Correntes d'Escritas. Sete mesas, 14 novos livros, visitas a escolas e muitos escritores. Aqui vamos nós.

Sunday, February 5, 2012

A máquina de fazer espanhóis em Espanha

Na edição de ontem do Babelia, do El Pais. A identidade no labirinto, diz ele (Antonio Sáez Delgado). E acrescenta: "la máquina de hacer españoles es una radiografía lúcida y certera, trágica y divertida al mismo tiempo, de la sociedad portuguesa, arrastrada por el autor a la necesidad de mirarse en su propia geografía mítica". Para ler aqui.

7h46


Friday, February 3, 2012

Ler e reler Borges


Não é só quando o leitor inicia uma nova leitura que a obra de um escritor renasce. É também nas várias edições que os seus livros vão tendo, sinal de como a posteridade cuidou do que escreveu. Integralmente  publicado em Portugal, Jorge Luis Borges começa hoje uma nova viagem, agora no comboio da Quetzal. A chancela do grupo Bertrand/Círculo faz chegar hoje às livrarias os dois primeiros volumes de um programa de edição dedicado a um dos maiores escritores do século XX (e não só). Esta iniciativa, que começa com os ensaios reunidos em História da Eternidade e a colectânea de contos Livro de Areia, tem por si só o mérito de devolver ao leitor os livros individualizados, já que nas livrarias apenas se encontrava disponível (com uma ou outra excepção) os cinco tomos das Obras Completas (editados pela Teorema). Assim, como num puzzle, peça a peça, poder-se-á desvendar o gigantesco labirinto literário que Borges foi compondo ao longo da sua vida, fruto de uma desmesurada paixão pela leitura. E estes lançamentos iniciais ilustram bem a variedade e, ao mesmo tempo, a unidade dos seus interesses. As ideias de duplo, manuscrito encontrado, ambiente fantástico, amor, morte, historia interrompida (e completada por quem lê), eterno retorno e círculo vicioso percorrem estes textos e contos, desafiando-nos a compor, através de uma leitura contínua, esse livro infinito que um dia terá ido para às mãos de Borges. "Disse-me que o seu livro se chamava o Livro de Areia, porque nem o livro nem a areia têm princípio nem fim". O gosto de ler Borges também não. 

7h06


Thursday, February 2, 2012

Mona Lisa, ainda o take 2

Para quem  gostou da notícia sobre a réplica mais antiga da Mona Lisa, que referi neste post, o El Pais lançou hoje uma extraordinária animação, que dá para confirmar as semelhanças e as diferenças entre o original e a cópia. Para ver aqui.

Correntes d'Escritas 2012

Aí está mais uma edição das Correntes d'Escritas, que há anos vem marcando o início do ano editorial português. Este ano, mesmo com a crise (e menos um dia), não será excepção. Cinquenta e quatro escritores, dezena e meia de lançamentos e sete mesas (mais uma em Lisboa) são motivos suficientes para rumar à Póvoa de Varzim, entre os dias 23 e 25. Eis o prato forte do programa, as mesas-redondas: 

Dia 23, quinta-feira, 15h00 – Auditório Municipal
Conferência de Abertura
D. Manuel Clemente, Bispo do Porto

Dia 23, quinta-feira, 17h00 – Auditório Municipal
Mesa 1: “A Escrita é um risco total"
Almeida Faria, Ana Paula Tavares, Eduardo Lourenço, Hélia Correia, Rubem Fonseca e José Carlos de Vasconcelos (moderador).

Dia 24, sexta-feira, 10h30 – Auditório Municipal
Mesa 2: “O fim da arte superior é libertar"
Alberto S. Santos, Fernando Pinto do Amaral, José Jorge Letria, Luís Quintais, Sofia Marrecas Ferreira, Care Santos e João Gobern (moderador).

Dia 24, sexta-feira, 15ho0 – Auditório Municipal
Mesa 3: A Poesia é o resultado de uma perfeita economia das palavras
Jaime Rocha, João Luís Barreto Guimarães, Manuel António Pina, Manuel Rui, Margarida Vale de Gato e Ivo Machado (moderador). 

Dia 24, sexta-feira, 17h30 – Auditório Municipal
Mesa 4: Toda a literatura é pura especulação
Eduardo Sacheri, Inês Pedrosa, João Bouza da Costa, Manuel Jorge Marmelo, Pedro Rosa Mendes, Rosa Montero e Bia Corrêa do Lago (moderador).  

Dia 24, sexta-feira, 22h00 – Auditório Municipal
Mesa 5: A escrita é um investimento inesgotável no prazer
Afonso Cruz, Ana Luísa Amaral, Júlio Magalhães, Manuel Moya, Rui Zink, Valter Hugo Mãe e Henrique Cayatte (moderador).

Dia 25, sábado, 10h30 – Auditório Municipal
Mesa 6: Da crise da escrita não se pode fugir 
Carmo Neto, João Pedro Marques, Miguel Real, Sandro William Junqueira, Valeria Luiselli, Salgado Maranhão e Onésimo Teotónio Almeida (moderador).  

Dia 25, sábado, 16h00 – Auditório Municipal
Mesa 7: “As ideias são fundos que nunca darão juros nas mãos do talento”
Eugénio Lisboa, Gonçalo M. Tavares, Helena Vasconcelos, João de Melo, Luís Sepúlveda, Onésimo Teotónio Almeida, Maria Flor Pedroso (moderador).

Dia 28, terça-feira, 18h30, Instituto Cervantes, Lisboa
Mesa 8: Traços de crise enriquecem o texto literário
Afonso Cruz, Ana Paula Tavares, Care Santos, Manuel Moya, Valeria Luiselli, Helena Vasconcelos (moderador).

O programa inclui ainda uma revista dedicada a Eduardo Lourenço, quatro prémios literários e várias visitas às escolas do concelho e não só. Na sexta-feira, 24, às 18, vou estar na Biblioteca Municipal à conversa com Júlio Magalhães e alunos de Comunicação Social da Universidade do Porto.

A realidade à espera de um escritor 1

Eis um bom romance por escrever: Caso Isaltino: juíza declara que não houve prescrição mas “por ora” não manda prender o autarca. Possível título: Um processo em Oeiras.

7h15


Wednesday, February 1, 2012

Recordando Fernando Assis Pacheco


Canção do Ano 86


Agora quando volto
quando é raro voltar e sempre por um dia
estou à minha espera na ponte de Santa Clara
com um ramo de rosas que levanto
à aproximação do carro
saudando-te caro Fernando Assis Pacheco
filho pródigo destes quintais floridos


quando acontece que volto
que assim volto por pouquíssimo tempo dou comigo
na berma da EN 1 a olhar à esquerda o Vale do Inferno
hoje estragado por um sacana qualquer dum engenheiro
dizendo adeus adeus Fernando Assis Pacheco
menino antigamente sem cuidado


se é que volto intimado pela agenda
do jornal em Condeixa já inquieto espreito
a ver se vens dos lados de Pombal
oitavo duma fila atrás dum camião
coçando a barba gesto bem teu
com que disfarças o nervoso e a pressa


volto sem querer quando decerto
mais não queria voltar
encasacado anónimo de olho circunvago
Leiria num relance prego no fundo
apetecia parar ao pé de ti Fernando Assis Pacheco
cálido aceno do que morreu
conversarmos os dois sobre esse século esses
cafés com quatro mesas e matraquilhos na cave a cheirar a bolor
essas aulas a que faltávamos no último período para empatar 
[cinco a cinco com os varões todos torcidos


consta que desde então
não fazes mais do que perder


Fernando Assis Pacheco
(que hoje faria 75 anos)