Tuesday, October 25, 2011

Thursday, September 1, 2011

Apresentação à imprensa de O filho de mil homens

Valter Hugo Mãe, Alexandre Vasconcelos e Sá e Clara Capitão 

Valter Hugo Mãe com um desenho inédito de Luís Silva,
incluído no novo romance.  
Valter Hugo Mãe a ler o texto que preparou para a sessão

Caixa e exemplar oferecido aos jornalistas. 

"O filho de mil homens, depois de me ter ferido com a escrita de a máquina de fazer espanhóis, é uma tentativa inequívoca de pensar em gente boa a ver se sou gente boa e se mudo as energias das sortes", afirmou Valter Hugo Mãe durante a apresentação aos jornalistas do seu novo romance, que decorreu hoje de manhã, na sala de âmbito cultural do El Corte Inglés. 

O livro chega às livrarias no próximo dia 24, e é a grande aposta para a rentrée da Alfaguara, do grupo Objectiva/Santilhana, dirigida em Portugal por Alexandre Vasconcelos e Sá e Clara Capitão. Para Valter Hugo Mãe é o início de um novo ciclo na sua obra, depois da tetralogia composta pelos romances o nosso reino, o remorso de baltazar serapião, o apocalipse dos trabalhadores e o já citado a máquina de fazer espanhóis

"O Crisóstomo, que é todo esperto porque o inventei para ser todo esperto, ensinou-me muita coisa. Mas não é nada de complicado. Muito pelo contrário. Ensinou-me a simplificar. É o que mais quero, simplificar. Estou a dizer-vos que acho que escrevi um livro simples, e que espero, simplesmente, que gostem", acrescentou Valter Hugo Mãe. 

A leitura está reservada para o próximo fim-de-semana. Primeiras impressões a qualquer momento. 

PS: É verdade, A volta do parafuso regressou. Por quanto tempo? Who knows...

Sunday, May 15, 2011

Os melhores livros de não-ficção

Último dia da Feira do Livro de Lisboa, último debate. Hoje, domingo, 15, a partir das 17 e 30, no Auditório, vou moderar uma mesa-redonda sobre os melhores livros de não-ficção lançados entre as feiras. Com Irene Flunser Pimentel, Manuel Gusmão, Miguel Real e Nuno Crato.

Depois, é aproveitar as derradeiras horas para comprar o que ficou por comprar. Até porque, a partir das 22, anunciou ontem a APEL, haverá uma excepcional "hora h". Livros com 50 por cento de desconto.

Saturday, May 14, 2011

Vida d'Escrita


Lídia Jorge, Mário de Carvalho e Mia Couto são os convidados do debate que vou moderar hoje, sábado, 14, na Feira do Livro de Lisboa. Uma conversa que tem como ponto de partida três obras recém lançadas, A Noite das Mulheres Cantoras, O Homem do Turbante Verde e Tradutor de Chuvas, um romance, uma antologia de contos e um volume de poemas, mas que também passará pela relação destes autores com a literatura. Ou não fossem as suas vidas feitas de letras e de muitos livros. Vida d'Escritas, a partir das 17 e 30, na Praça Azul.

Jornal i


Este fim de semana, no suplemento Livros e Viagens (LiV), do Jornal i, textos sobre Crime e Castigo no país dos brandos costumes, de Pedro Almeida Vieira, O Olhar da Mente, de Oliver Sacks, e O Senhor do Adeus, de João Manuel Serra.

Thursday, May 12, 2011

Da rua para mundo

«Não pensava que a minha obra fosse conhecida fora da minha rua», diz ele, o novo Prémio Camões, Manuel António Pina, à TSF. Para ouvir aqui.

MAP: novos livros no prelo



Depois do Prémio Camões, os livros. E Manuel António Pina já tem dois no prelo, ambos na Assírio & Alvim, como dá conta o Jornal de Notícias, onde foi jornalista e chefe de redacção. Uma antologia pessoal, intitulada Poesia, Saudade da Prosa, e um novo volume de poemas. Para ler aqui.

Posologia: sem limite

A receita é antiga, mas ainda assim actual. Eis o que o novo Prémio Camões receita ao seu amigo João Luís Barreto Guimarães e restantes animadores do blogue Poesia & Lda. E não vale a pena tentar mudar o receituário: o dr Manuel António Pina, nesta matéria, não autoriza o "fornecimento de genéricos". Na literatura, só o original cura.

E o Prémio Camões vai para...

... Manuel António Pina. A decisão foi unânime, numa reunião muito rápida, de apenas 30 minutos.

No retrovisor da História



Este poderia ser um policial igual a tantos outros. “Um táxi despenhara-se por volta do quilómetro 17 da estrada que conduz ao aeroporto”, lê-se na sequência de abertura. “Os dois passageiros tinham morrido de imediato, enquanto o motorista, gravemente ferido, fora transportado em coma para o hospital”. Os ingredientes estão cá: um acidente sem motivo aparente (“o veículo não deixará o menor vestígio de travagem”) e um dado que não esclarece, só complica. Uma vez recuperado, o motorista diz que o despiste foi causado pelo que viu através do retrovisor. E o que viu? Um beijo...


Sherlock Holmes, Hercule Poirot, Philip Marlowe ou Pepe Carvalho, qual destes detectives não seria capaz de resolver tão rebuscado mistério? A abordagem de Ismail Kadaré, no entanto, é outra. Para o escritor albanês, o acidente é apenas um pretexto para falar de conflitos, relações de poder, reconstrução do passado e do papel que a ficção desempenha nesse processo. É que o investigador encarregue de solucionar o “Caso do quilómetro 17” acaba por desistir da via factual. Ouvidas as testemunhas, reunidos os documentos e reconstituída a viagem, toma uma decisão: “Numa noite de fim de Verão, ele pôs-se verdadeiramente a imaginar”, diz o narrador. E, na segunda parte de “O Acidente”, lemos a história que o investigador criou a partir das muitas peças deste puzzle. Só assim, pensa, será possível explicar o que levou uma jovem e bela estagiária do Instituto Arqueológico de Vienna a aproximar-se de um velho e críptico analista do Conselho da Europa. Percebendo a relação que erguem e destroem, em paixões e rancores alternados, o investigador entenderá igualmente a história recente dos Balcãs Ocidentais.


As feridas deixadas pela fragmentação da ex-Juguslávia e pelos regimes totalitários que aí impuseram a sua lei, e contra aos quais Kandaré se opôs, são fendas tão profundas como as que, aos poucos, vão separando este casal. No tribunal de Haia, a que Bessfort terá de comparecer, como na defesa do amor, a que Rovena se entrega, ou ainda como na curva da estrada que o taxista não vê, a descoberta da verdade afigura-se sempre uma tarefa impossível. Porque, conclui o investigador, “há diversas verdades, para além daquela que julgamos ver. Não as conhecemos. Não podemos. Talvez sejam invisíveis”. Visto através do retrovisor, o passado é um enigma que só a literatura pode desvendar.


Texto publicado no Jornal i, a 9 de Abril de 2011.