Monday, May 2, 2011

Sugestões de leitura para Maio

No coração do convento

Poetisa, romancista e co-autora de uma das obras mais emblemáticas da Literatura Portuguesa (“Novas Cartas Portuguesas”), Maria Teresa Horta publica agora aquele que será sem dúvida o seu grande livro: “As Luzes de Leonor”, uma biografia romanceada de Leonor de Almeida Portugal, neta dos marqueses de Távora e sua quinta bisavó. Ao longo de mil páginas, Teresa Horta mistura vários registos e géneros literários, da poesia ao diário, da ficção à história, para fazer sobressair esta figura única que, em 1758, foi enclausurada no Convento de S. Félix juntamente com a mãe e irmã. Tinha apenas oito anos quando o futuro marquês de Pombal traçou o seu destino e só saiu aos 27. Mas nessa altura já Portugal se agitava com o que se dizia da sua beleza e com a qualidade da sua poesia. Um romance no coração do convento.

AS LUZES DE LEONOR
Maria Teresa Horta
Dom Quixote
29 de Maio

Todas as revoluções têm uma geografia própria, feita de lugares que mitificam as suas vitórias e ampliam o seu impacto social e político. Na recente revolução do Egipto, esse estatuto foi assumido por uma praça, para onde convergiram milhares de egípcios que reclamavam reformas no país e a demissão do presidente Mubarak, o que veio a acontecer depois de 18 dias de manifestação contínuas. É essa vontade de mudança que Alexandra Lucas Coelho capta, no epicentro da revolução: a Praça Tahrir.

TAHRIR – OS DIAS DA REVOLUÇÃO
Alexandra Lucas Coelho
Tinta-da-China
2 de Maio


Nas habituais previsões antes do anúncio do vencedor, “C”, do inglês Tom McCarthy, era tido como o grande favorito no Man Booker Prize de 2010. Mas o prémio não foi parar às suas mãos, o que reforça a ideia dos prognósticos só serem certeiros no fim do jogo. Fica, no entanto, o mais importante: a obra. E não é pouco. “C” é um extraordinário romance sobre a arte da comunicação, que Serge Carrefax aprenderá a dominar desde os tempos do telégrafo aos códigos secretos da Primeira Guerra Mundial.

C
Tom McCarthy
Presença
2 de Maio



É o caminho que faz a viagem, não o destino. Esta talvez não seja uma máxima partilhada por todos os viajantes, mas é a que distingue Paul Theroux, que tem percorrido os quatro cantos do mundo recorrendo quase sempre a transportes terrestres. Um dia, saiu de casa, nos EUA, e só parou na Patagónia, no extremo da América do Sul. Em “O Grande Bazar Ferroviário” conta-nos como atravessou a Europa e a Ásia de comboio, a bordo do Expresso do Oriente, Transiberiano, Expresso da Meia Noite e Flecha de Ouro.

O GRANDE BAZAR FERROVIÁRIO
Paul Theroux
Quetzal
6 de Maio


“Este livro não tem brandos costumes. Nem nós”. Eis como Rui Cardoso Martins apresenta o primeiro de dois volumes sobre o crime e o castigo na História de Portugal. E não se trata de uma conclusão apressada. É a que se impõe após a leitura destes episódios que desfazem o mito do país sereno à beira-mar plantado. Em Portugal, como em qualquer país, existe violência, mesmo quando é escondida. Pedro Almeida Vieira revela-a, citando processos judiciais, artigos de imprensa e memórias populares.

CRIME E CASTIGO NO PAÍS DOS BRANDOS COSTUMES
Pedro Almeida Vieira
Planeta
9 de Maio

África é uma das grandes paixões de Tim Butcher, à qual tem dedicado grande parte da sua vida. Na origem desta atracção estão as histórias de exploradores destemidos que a mãe lhe contava quando era criança. E foi com igual coragem que Butcher atravessou o “caminho da morte”: a Serra Leoa e a Libéria. A reportagem que nos deixa em “À Caça do Diabo” é uma viagem pela violência que assola esses países e pelas aventuras de outros escritores que por ali andaram, em particular Graham Greene.

À CAÇA DO DIABO
Tim Butcher
Bertrand
13 de Maio



Dubravka Ugresic é uma das mais importantes escritoras nascida na antiga Jugoslávia. Publicado em 1998, “Museu da Rendição Incondicional” é um livro de difícil classificação, na medida em que é feito de fragmentos. A vida no exílio é o fio condutor das personagens que vão sendo convocadas pela escritora em pequenos contos, excertos de diários, biografias de artistas, descrições de cidade e memórias de outros tempos, que não esquecem o Holocasto e a guerra civil que dividiu os Balcãs.

MUSEU DA RENDIÇÃO INCONDICIONAL
Dubravka Ugresic
Cavalo de Ferro
23 de Maio

Texto publicado no Jornal i, de 26 de Abril de 2011.

Do sprint final

Dizem que, para um maratonista, os últimos quilómetros são os mais difíceis. Que as dores são inimagináveis, que não se pensa em mais nada, só na meta, que se continua a correr mesmo quando o corpo já não reage. Eu, que nunca fui além dos 10 mil metros, não o posso confirmar, só dizer que na semana passada terei andado perto dessas sensações. Muito trabalho, prazos apertados e uma constipação pelo meio. E, no entanto, não podia parar. Este blogue foi vítima do sprint final, com pouquíssimas actualizações. Hoje, recomeço uma nova vida. E os posts.

Saturday, April 23, 2011

Jornal i



Este fim-de-semana, no Jornal i, integrados no suplemento Livros e Viagens (LiV), textos sobre Liberdade, de Jonathan Franzen, Contos Reunidos, de Felisberto Hernández, Khan Al-Jhalili, de Naguib Mahfouz.

Tuesday, April 19, 2011

Diário do LeV





A certa altura da viagem iniciamos sempre o regresso a casa. O meu começa agora, a caminho de outros compromissos profissionais. Tenho pena de deixar mais cedo o LeV e não acompanhar as duas últimas mesas do encontro, dedicadas aos temas O futuro é uma viagem da memória, com António Jorge Gonçalves, CSRichardson, Henrique Fialho, Richard Zimler, Teresa Lopes Vieira e Alberto Serra (às 15); e Viajar é descobrir que todo o mundo se equivoca, com J. Rentes de Carvalho, Mário Delgado Aparaín, Reif Larsen, Valter Hugo Nãe e Alexandre Quintanilha (às 17). Regresso a Lisboa. Até ao próximo serviço.

- Posted using BlogPress from my iPhone

Diário do LeV

Afonso Cruz.

Diário do LeV

André Gago.

Diário do Lev

António Jorge Gonçalves.

Diário do LeV

Subways - A viagem de António Jorge Gonçalves por dez linhas de metro do mundo.

Diário do LeV

É para mesas como esta que os leitores vão a festivais literários. Experiências pessoais, histórias, episódios, poesia e polémica. A Mesa 6 do LeV, dedicada ao tema África: uma viagem por começar, teve tudo isto. Terminou com uma extraordinária intervenção de Ondjaki sobre o esquecimento e o desrespeito do Outro pelas tradições africanas. Se o intenso aplauso da plateia impressionou os presentes, mais sensibilizados ficaram quando um leitor pediu a palavra e disse que tinha algo que gostava que o escritor angolano devolvesse ao seu país: um opúsculo de Agostinho Neto, publicado na Póvoa de Varzim, defendendo a libertação dos povos africanos. Foi a chave de ouro numa sessão em que se ouviu ainda Mohammed Berrada falar de África como um inconsciente que o acompanha para todo o lado, ele que nasceu em Marrocos, e Afonso Cruz a relatar as suas muitas andanças pelo mundo. A polémica surgiu mais no fim, quando Joaquim Magalhães de Castro falou de descobrimentos e escravatura. O escritor de viagens, no entanto, deixou a ideia: "Somos todos fruto de um passado, do qual nem sempre somos responsáveis, e de um encontro. De outra forma não estaríamos aqui".

Graças à simpatia da Maria João Costa, da RR, também a cobrir o encontro, conseguimos uma gravação audio de algumas intervenções, que transcreveremos assim que possível.