Sunday, April 17, 2011

Diário do LeV

Noites longas: Mario Delgado Aparaín.

DIário do LeV

Noites longas: Pedro Almeida Vieira.

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O programa cultural do primeiro dia do LeV fechou com o lançamento do novo romance de João Lopes Marques, Iberiana, que incluiu a projecção da curta-metragem realizada por Filipe Araújo a partir do livro. Um olhar cruzado sobre as Ibérias da Europa: a de Portugal e Espanha e a do Cáucaso.

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Conferências sobre literatura, feiras com descontos. A viagem dos livros em Matosinhos.

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Hoje a imagem da Mesa 2, amanhã a crónica.

Saturday, April 16, 2011

Diário do LeV

Programa do dia: 18 e 30, Mesa 2 - Encontro-me a mim próprio viajando, com Joel Neto, José Abecassis Soares, Eduardo Sacheri, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares e Vítor Quelhas.

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"Proponho-vos o seguinte exercício", atira Rui Zink, a meio da sua intervenção na primeira mesa do Literatura em Viagem (LeV), dedicada ao tema Viajo para disciplinar o raciocínio. "Uma noite, antes de se deitarem, tentem imaginar o dia de amanhã". Parecia uma proposta simples, mas não era. Tinha truque. Uma revelação escondida. Porque, na verdade, o que o autor de Hotel Lusitânia pedia não era uma projecção feita a olhar para a agenda. Antes um “imaginar o que normalmente não se imagina”. O exercício inverso deveria ser repetido numa manhã, não necessariamente a seguinte. “Tentem recordar o dia de ontem”.

Com este duplo jogo, afiança Rui Zink, rapidamente se perceberá que tanto num caso como noutro o que está em causa é sempre a imaginação. “Porque o que num dia pensamos ser memória (ontem) é afinal reconstrução e o que noutro acreditamos ser imaginação (amanhã) é apenas conhecimento”. É por isso que o escritor defende que “a melhor viagem é a interior, aquela que fazemos dentro de nós”. Se depois empreendemos andanças físicas, é porque “para regressar precisamos de partir”. E em qualquer desta viagens o mais importante são as pessoas, o olhar, este pêndulo entre a memória e a projecção.

A noção de viagem mais acção, apresentada por Rui Zink e retirada da mesma palavra (Vi – Ajo), marcou as intervenções da primeira mesa. José Ricardo Nunes lembrou a viagem mais aterradora que conhece, aquela que o semi-heterónimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares, faz no eléctrico. Também aqui, no embate com o exterior, tudo é essencialmente interior. Os mundos percorridos pelos carris são ao mesmo tempo físicos e insondáveis. João Lopes Marques revelou a sua preferência por não-lugares e territórios de estranheza quando a escrita chama por si. “Não consigo escrever em casa”, disse. E, por isso, faz da viagem um modo de vida, tendo fixado residência na Letónia. O seu novo romance, Iberiana, é o resultado dessa inquietação, ligando duas pontas da Europa: País Basco e Geórgia.

Para o brasileiro Marcelo Ferroni, a acção faz-se no escritório, embora seja igualmente agitada. É daqueles que se define como um “viajante sedentário”. Quando era adolescente, sonhava dar a volta ao mundo. Passou muitos anos a juntar dinheiro para a realizar. Mas quando finalmente olhou com entusiasmo para a conta bancária, decidiu: o melhor é ir para Paris e ficar lá seis meses. A viagem fez à volta do quarto. O que também aconteceu com a biografia imaginária que fez de Che Guevera. Para escrever Método Prático de Guerrilha, pensou em muitas viagens e em muitos destinos. “Como bom sendentário”, brincou o escritor e editor da Objectiva, “à medida que me desliguei dos livros que serviram de base à minha investigação, abandonei também a ideia da viagem”. No fim, acabou por encontrar e descrever uma Bolívia feita citações. E garantiu: “Este é um livro de viagens a um país imaginário”.

Opção contrária tem Miguel Carvalho, que luta por manter o que de melhor há no jornalismo: “Reproduzir os cheiros e as sensações do terreno”. Contra o “noticiário fast-food”, o grande-repórter da Visão propõe a filosofia que alimentou gerações de jornalistas: “O jornalismo pode não mudar o mundo, mas devemos continuar a escrevê-lo como se isso fosse possível”.



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Alguns problemas com a internet. Solução de recurso encontrada através do iphone do Bibliotecário de Babel. As próximas voltas do parafuso são à sua conta. Muito obrigado.

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Programa do dia: 17 horas, Mesa 1, com João Lopes Marques, José Ricardo Nunes, Marcelo Ferroni, Rui Zink, Miguel Carvalho e Paulo Ferreira (moderador).

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Conhecer as leis e os segredos do mar é missão de qualquer marinheiro. E não há melhor lugar para essa aprendizagem, garante Proença Mendes, do que o navio-escola Sagres. Para ilustrar a sua tese, o comandante recordou os principais momentos da circum-navegação que realizou em 2010. De Lisboa à América do Sul, celebrando aí o bicentenário da independência de muitos países, e do Japão a Goa, assinalando os 500 anos da chegada dos portugueses ao extremo Oriente, esta foi também uma viagem pela lusófonia e pelas marcas que Portugal foi deixando pelo mundo. Mais do que um navio, sublinhou, a Sagres é uma verdadeira embaixada em movimento.
À velocidade da vela, o LeV já levantou âncora e iniciou a sua viagem.