Saturday, April 16, 2011

Diário do LeV



Inter-cidades, inter-leituras.

Diário do LeV 6

De partida. Destino: Porto Campanhã.

Jornal i


Este fim-de-semana, no Jornal i, integrados no suplemento Livros e Viagens (LIV), textos sobre os livros Histórias de imagens, de Robert Walser, O Legado de Wilt, de Tom Sharpe, e A Humilhação, de Philip Roth.

Diário do LeV 5

Comboio às 9 e 30 para Matosinhos. É melhor ir dormir.

Friday, April 15, 2011

A verdade da ficção

O aviso só chega no fim: “A única personagem inventada é o protagonista, Simone Simonini. Todos os outros existiram realmente”, escreve o autor numa nota a que deu o sugestivo título “Inúteis explicações eruditas”. E acrescenta: “Mas, repensando bem, até Simonini, se bem que feito de uma colagem, pelo que lhe foram atribuídas coisas feitas por pessoas diversas, de algum modo existiu. Aliás, a bem dizer, ele está ainda entre nós”. Não podia haver texto mais esclarecedor quanto aos propósitos de Umberto Eco e deste seu novo livro, O Cemitério de Praga. Como em O Nome da Rosa, estamos perante o romance histórico perfeito, na medida em que se apropria de uma época e nela encontra a narrativa que pode ser contada. Não há mistérios deste tempo transportados para outro, nem conceitos actuais em contextos passados. É com a verdade que o escritor italiano nos engana. E alerta.
O mínimo que se pode dizer é que Eco se lançou numa grande empreitada. Ao longo do romance, cruzamo-nos com inúmeras figuras históricas, que defenderam ideias, muitas vezes em livros, e praticaram diversos actos. Simonini vive, dialoga, interage e negoceia com elas, levando-as a fazer e a dizer o que fizeram e disseram realmente. Um trabalho de precisão que se assemelha ao do jogador de xadrez que tem de avaliar as muitas jogadas possíveis antes de escolher a sua. Eco domina com mestria todo o arco temporal deste romance: o séc. XIX, que tanta influência teve para os intelectuais europeus. E move-se com a mesma naturalidade com que fala de arte, de semiótica ou de literatura. Sabe, por isso, que nessa altura as ideologias não se confundiam e que escritores, críticos, ensaístas, teóricos e políticos intervinham activamente no espaço público, numa enorme efervescência cultural.
É esse tabuleiro que Simonini tem pela frente, um homem tornado célebre por conhecer como poucos a arte de falsificar documentos. Numa Europa onde sopram os espectros do comunismo e as vagas nacionalistas, ele só tem duas ambições: juntar dinheiro suficiente para viver dos rendimentos e frequentar os melhores restaurantes. E um ódio de estimação: os judeus. Inspirado pelo avô, ele será o arquitecto da conspiração que esteve na origem do anti-semitismo que percorreu a Europa no final do séc. XIX e que depois resultou na solução final de Hitler. Na sua cave amontoam-se cadáveres, tal como no seu diário sucedem-se episódios de vida que o narrador tenta ordenar. O mais assustador é que nada é mentira. Qualquer semelhança com a realidade não é ficção. São as qualidades de um grande romance histórico.

Texto publicado no Jornal i, a 2 de Abril

Diário do LeV 4

Além das mesas redondas com escritores de várias nacionalidades, a ementa do Literatura em Viagem (LeV) também incluiu vários lançamentos de livros. Eis o menu deste ano:

Da Sextante:
As cidades de Ulisses, de Teolinda Gersão
HHhH, de Laurent Binet
O profeta do castigo divino, de Pedro Almeida Vieira
Até ao Fim – a última operação, de António Vasconcelos Raposo
Iberiana, de João Lopes Marques

Da Porto Editora:
Banda Sonora para um regresso a casa, de Joel Neto
O homem que gostava de cães, de Leonardo Padura

Da Alfaguara:
Os monstrinhos da roupa suja, de Ricardo Adolfo

Da Presença:
No mundo das maravilhas, de Joaquim Magalhães de Castro

Thursday, April 14, 2011

Dose dupla: Arturo Pérez-Reverte



De uma assentada, a ASA acaba de publicar dois livros de Arturo Pérez-Reverte que revelam todas as qualidade do escritor espanhol, nomeadamente nos campos do romance histórico e do fantástico/policial. O primeiro é o último romance de Pérez-Reverte, O Assédio, lançado em Espanha em 2010, com a cidade de Cádis do século XIX como palco. O segundo é uma das obras mais famosas do autor, O Clube Dumas, de 1993, que pode ser considerado um dos precursores das muitas histórias fantásticas e misteriosas, com religião e livros à mistura, que vemos por aí. Dose dupla. E da boa.

Diário da terra do gelo 14

Quando o trabalho aperta, um pensamento: faltam pouco mais de dois meses.

Diário do LeV 3


O Literatura em Viagem (LeV) em 30 segundos.

Wednesday, April 13, 2011

Jardim, a Grande Fraude



Depois de uma tentativa falhada na Madeira, o livro de Ribeiro Cardoso, Jardim, a Grande Fraude, é lançado hoje, quarta-feira, 13, às 18 e 30, na Casa de Imprensa, em Lisboa. A obra será apresentada por José Carlos de Vasconcelos. Para se perceber por que razão ninguém quis acolher este lançamento na Madeira, como a Caminho noticiou, leia-se este excerto: "Hoje, a Região Autónoma da Madeira é tudo menos autónoma, e o 'modelo de desenvolvimento' imposto por Jardim um fracasso total. A ilha vive muito acima das suas possibilidades e está afogada num mar de dívidas, totalmente dependente do exterior. Com a agravante de o regime criado por Jardim ser um simulacro da democracia, uma mancha negra no Portugal de Abril." Aquela recusa parece confirmar esta conclusão.