Thursday, March 31, 2011

Gatos e mais gatos

Não houve alternativa. Passados dois anos, tive de ceder: há novo inquilino cá em casa. E, ao que parece, gosta de livros. Menos mal.

Diário da Madeira 4

O Festival Literário da Madeira arranca já amanhã, sexta-feira, 1, prolongando-se até domingo, 3. Como as mesas redondas são o prato forte desta iniciativa dos Booktailors e Nova Delphi, aqui fica a ementa do fim-de-semana, que será servida no Hotel Meliã Madeira Mare, no Funchal.

Mesa 1 — Os escritores que fogem da fama
Alguns escritores, como J. D. Salinger ou o nosso Herberto Hélder, consideram que deve ser a sua obra a falar por eles. Virando as costas aos holofotes da fama, vivem no anonimato possível. Não concedem entrevistas, recusam prémios. Será legítimo?
Com José Mário Silva, Patrícia Portela, Rui Zink, Rui Faria Nepomuceno e Miguel Albuquerque, sábado, às 10 e 30

Mesa 2 — Os escritores malditos
Malditos ou amaldiçoados, houve livros e autores que mudaram e atormentaram as vidas dos leitores. Lautréamont, Sade ou mesmo o nosso Pessoa, também eles foram considerados malditos. Será justo falar-se de maldição na literatura?
Com Isabela Figueiredo, Sandro William Junqueira, valter hugo mãe, Paulo Sérgio Beju e Diana Pimentel, sábado, às 15

Mesa 3 — Os escritores inconstantes
Alguns escritores são profícuos, deixando dezenas de obras para a posteridade; outros, como Rimbaud, escreveram muito pouco e ficaram imortalizados na literatura. Haverá uma periodicidade mínima para se ser escritor?
Com David Machado, Inês Pedrosa, Raquel Ochoa e Rogério Sousa, sábado, às 17 e 45

Mesa 4 — Os escritores esquecidos
Quantos génios esquecidos sustentam a História da Literatura? Quantos, com grande êxito no seu tempo, estão hoje arredados das estantes das livrarias? Invoquemos os génios esquecidos a partir de uma escolha pessoal dos intervenientes.
Com Afonso Cruz, Eduardo Pitta, Violante Saramago, Antonio Scurati e Francesco Valentini, domingo, às 10 e 30

Mesa 5 — Os escritores maltratados
Escritores sem reconhecimento em vida, outros que tiveram as suas mensagens deturpadas ou mal interpretadas. Outros para a quem a vida foi agreste, vivendo da caridade e solidariedade alheias.
Com Graça Alves, Mário Zambujal, Pedro Vieira e Francisco Faria Paulino, domingo, às 15

Wednesday, March 30, 2011

Quatro anos de Sextante

Quatro anos e uma centena de grandes livros. É o que a Sextante celebra hoje, às 19, na Casa Fernando Pessoa. O João Rodrigues e a sua equipa estão de parabéns. Na sessão, será ainda lançado o romance A Cidade de Ulisses, de Teolinda Gersão, que também motivos para festejar, pois celebra este ano três décadas de vida literária. A festa, tenho a certeza, vai ser bonita.

Ângelo de Sousa

Eram famosos, entre amigos e colegas, os desenhos que Ângelo de Sousa fazia durante os conselhos pedagógicos e científicos a que tinha de assistir e muitas vezes presidir na Faculdade de Belas Artes do Porto, onde se licenciou (com nota final de 20 valores, tal como Jorge Pinheiro, Armando Alves e José Rodrigues) e onde deu aulas durante muitos anos. Mas o desenhador, pintor, escultor e fotógrafo (esta última arte praticada sobretudo durante o PREC) não desvalorizava as suas responsabilidades académicas, apenas punha o inconsciente a trabalhar. Foi o que me garantiu quando o entrevistei a propósito da exposição Escultura, que apresentou na Gulbenkian em 2006: "Eu não estava distraído da reunião", atirou. "Estava era distraído do desenho, mas mesmo assim continuava".
Desse contacto directo com a sua criatividade nasceram centenas de obras, que tanto prestavam tributo à simplicidade (as cores primárias, as formas geométricas) como à elaboração, filiando-se nas grandes questões que atravessaram as últimas décadas da contemporaneidade (a relação entre alta e baixa cultura, a noção de espaço e sua interacção com o espectador, o papel da cor e a ideia de substractos que se sobrepõem ou justapõem).
Um inesperado telefonema avisou-me agora da sua morte, já noticiada pela Rádio Renascença, e eu lembrei-me da sua militância pela arte, da sua simpatia e do seu humor. Jamais esquecerei a forma como, muito animado, me contou que uma das primeiras coisas que fez quando chegou a Portugal - nasceu em Maputo, em 1938 - foi comprar o primeiro volume da viagem à Lua do Tintin. "Passei anos a tentar perceber como é que ele tinha ido lá parar", disse-me, para depois acrescentar: "É que, em criança, só consegui comprar o segundo volume..." Pelo meio, a imaginação colmatou os espaços em branco. E a arte fez o resto.

Tuesday, March 29, 2011

Diário da terra do gelo 12



Entre trabalhos vários, eis o que me inspira por estes dias: a possibilidade de uma ilha, o sonho de umas férias já marcadas, a promessa de uma viagem. E este vídeo, criado pelo projecto Inspired by Iceland, a partir da música Jungle Drum, de Emilíana Torrini, com o objectivo de voltar a dinamizar o turismo no país, depois da bancarrota e do caos provocado pelo vulcão Eyjafjallajökull. Tudo isto descobri no blogue Og ég fæ blóðnasir, igualmente inspirado pela Islândia. E o vosso coração, também bate?

Diário da terra do gelo 11

Naquele tempo tinham decorrido vinte e quatro invernos desde a queda de Fridfrodi e reinava na Uppland, na Noruega, o rei que se chamava Erlingr. Tinha uma mulher e dois filhos. O mais velho chamava-se Sorli, o forte e o mais novo Erlendr. Eram homens capazes. Sorli era o mais forte dos dois. Tomaram parte em expedições guerreiras desde que chegaram à idade de o fazer. Combateram Sindri o viking, filho de Sveigir Hákason o rei do mar, nos recifes de Elbe. Foi lá que caiu Sindri e toda a sua companhia. Nessa batalha também Erlendr Erlingsson encontrou a morte. Depois disto Sorli dirigiu-se para o Báltico, guerreou e realizou tantas proezas que é impossível descrevê-las todas.

Saga islandesa do século XIV, traduzida por Irene Freire Nunes e publicada na antologia Rosa do Mundo, uma edição da Assírio & Alvim.

Diálogos poéticos

É hoje, às 18, na livraria Bulhosa de Campo de Ourique. Três autores (Pedro Tamen, Pedro Mexia e José Mário Silva) e um mesmo ofício: a poesia.

Os monstros de Ana Teresa Pereira



Alguém vai a Espanha? Se forem, tragam-me este novo livro da Ana Teresa Pereira, uma edição trilingue da Horizontes Insulares. Como adianta o blogue da Relógio d'Água, "trata-se de um projecto de arte e literatura contemporânea, apoiado pelo Governo das Canárias, para divulgação de trinta e seis autores de onze territórios insulares, que vão de Cuba a Cabo Verde. O presente volume, dedicado à Madeira, conta com ilustrações de Eduardo de Freitas." A tradução para espanhol é de Ricardo Pérez Piñero e para francês de Nicole Siganos.

Monday, March 28, 2011

Diário da terra do gelo 10

Aqui começa o dito de Sörli

A Leste do Vanakvist na Ásia encontrava-se o país de Ásia ou mundo de Ásia. Chamava-se Ásios o povo que o habitava. Eles chamavam à sua capital Ásgaror. O rei que aí reinava dava pelo nome de Odinn. Havia lá um grande local de sacrifício. Odinn nomeou Njord e Freyr sacerdotes sacrificantes (blotgodar). A filha de Njordr chamava-se Freyja, acompanhava Odinn e era sua amante. Havia na Ásia certos homens dos quais um se chamava Alfregg, outro Dvalinn, o terceiro Berlingr e o quarto Greer. Moravam nas imediações da "halle" do rei. Eram uns seres tão hábeis que faziam tudo na perfeição. Chamavam a essa espécie de homens anões. Habitavam um rochedo. Naquele tempo misturavam-se mais com os homens do que agora. Odinn amava muito Freyja, aliás ela era a mais bela mulher daquele tempo. Possuía uma pequena casa; esta era a um tempo tão bela e tão forte que, segundo contam, quando a porta estava fechada e trancada, nenhum homem podia penetrar no interior contra a vontade de Freyja. Um dia aconteceu que Freyja passou por aquele rochedo quando ele se encontrava aberto. Os anões estavam ocupados a forjar um colar de ouro. Era uma verdadeira obra-prima. O colar agradou muito a Freyja. Freyja também agradou muito aos anões. Ela propôs-lhes comprar o colar, oferecendo em troca ouro, prata e outros bens de alto preço. Eles declararam não precisar de riquezas. Todos afirmaram querer vender a sua parte do colar e nada mais desejar em troca senão que ela passasse uma noite com cada um deles. E quer ela se tenha acomodado bem ou mal à ideia, concluíram o negócio. Passada a quarta noite e preenchidas todas as condições, os anões entregaram o colar a Freyja, que regressou a sua casa e nada deixou transparecer como se nada se tivesse passado.

Saga islandesa do século XIV, traduzida por Irene Freire Nunes e publicada na antologia A Rosa do Mundo, uma edição da Assírio & Alvim.

Diário da Madeira 3

A ilha dos escritores

Durante o próximo fim de semana de 1, 2 e 3 de Abril, 20 autores portugueses e estrangeiros vão fazer da Madeira uma ilha de escritores. É a primeira edição do Festival Literário da Madeira, uma iniciativa da Booktailors - Consultores Editoriais e da Nova Delphi que inclui mesas temáticas, lançamentos de livros e visitas às escolas. Promover a ilha da Madeira enquanto destino de turismo cultural e dinamizar as letras e a literatura de origem madeirense são os principais objetivos deste encontro, que também quer contribuir para aumentar a oferta cultural já existente na região, abrindo espaços de convívio entre leitores e escritores.
Ainda antes da abertura oficial, no dia 1, às 19, o Festival arranca com visitas de escritores a quatro estabelecimentos de ensino da Madeira. Afonso Cruz, José Mário Silva, Paulo Sérgio Beju e Valter Hugo Mãe visitam a Escola de Machico, enquanto Mário Zambujal, Sandro William Junqueira, Pedro Vieira e Rui Zink vão à Escola de Ponta do Sol, ficando a Secundária Jaime Moniz para Inês Pedrosa e Isabel Figueiredo.
À semelhança de outros encontros do país, o Festival Literário da Madeira organiza-se em torno de várias mesas temáticas. Nesta primeira edição, o denominador comum é a ideia de escritor, nas suas múltiplas variantes. No dia 2, às 10 e 30, José Mário Silva, Patrícia Portela e Rui Zink, com moderação de Miguel Albuquerque, falam sobre Os escritores que fogem da fama. À tarde, às 15, é a vez d’Os escritores malditos, com Isabela Figueiredo, Sandro William Junqueira, Valter Hugo Mãe e Paulo Sérgio Beju, com moderação de Diana Pimentel. No mesmo dia 2, às 17 e 45, as atenções viram-se para Os escritores inconstantes, com David Machado, Inês Pedrosa e Raquel Ochoa.
No último dia, 3, haverá ainda espaço para duas mesas temáticas: Os escritores esquecidos, com Afonso Cruz, Eduardo Pitta, Violante Saramago e o italiano António Scurati, com moderação de Francesco Valentini, e Os escritores maltratados, com Graça Alves, Mário Zambujal e Pedro Vieira, com moderação de Francisco Faria Paulino.
Ao longo do Festival serão lançados ainda duas edições da Nova Delphi: A Queda d’um anjo, de Camilo Castelo Branco, e De profundis, de Oscar Wilde, obras apresentadas por José Viale Moutinho e Miguel Vale de Almeida, respectivamente.