Thursday, February 24, 2011

Diário das Correntes XXXIII

O fotógrafo das Correntes: José Carlos Marques.

Diário das Correntes XXXII

Correntes digitais. O livro, entre o hoje e o amanhã.

Diário das Correntes XXXI


Muitos livros na segunda sessão de lançamentos das Correntes d'Escritas. Basta dizer que foi preciso dividir a mesa em duas fotos para se ter uma ideia do todo. Muitos e variados, pois houve um pouco de tudo. Na síntese possível, refira-se, nos portugueses, a grande viagem do passado e do tempo, por Yvette Centeno, em Do Perto e do Longe, uma história de mulheres, reflectidas em muitos espelhos, por Maria Manuel Viana, em O Verão de Todos os Silêncios, um amor romântico à luz do século XXI, por Maria João Martins, em Como o ar que respiras, e a literatura como conteúdo mas também forma, em O Filho de Campo de Ourique e Outras História, de António Figueira.
Nos Espanhóis, Ignacio del Valle apresentou Os Demónios de Berlim, o último volume de uma trilogia que inclui ainda O Tempo dos Imperadores Estranhos e A Arte de Matar Dragões. Nos três livros, a mesma filosofia: toda a história tem de ter "emoção, intensidade e intencionalidade".
Para o fim ficou O Dois Amigos, de Kirmen Uribe, um dos grandes livros da edição deste ano das Correntes. Explicando a génese deste romance, o escritor basco falou da necessidade que sentiu em contar o seu mundo, o mundo que conheceu desde a infância. Mas não o quis fazer de uma forma convencional. "Procurei escrever uma novela do século XXI", afirmou. E o resultado é uma narração "caleidoscópica" sobre o trabalho preparatório de um romance que nunca foi escrito. Com as sugestões que são dadas, cabe ao leitor ligar as pontas soltas. Preencher os espaços vazios.

Wednesday, February 23, 2011

Diário das Correntes XXX

Programa do dia: 22h30 - Lançamento dos livros Como o ar que respiras, de Maria João Martins (Porto Editora), Do Longe e do Perto Quase-diário, de Yvette K. Centeno (Sextante), O Filho de Campo de Ourique e Outras Histórias, de António Figueira (Dom Quixote), O Verão de todos os Silêncios, de Maria Manuel Viana (Planeta), Os Demónios de Berlim, de Ignacio del Valle (Porto Editora), e O Dois Amigos, de Kirmen Uribe (Planeta)

Diário das Correntes XXIX




Dois cafés, por favor, para a Maria João Costa e a Sara Figueiredo Costa.

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Diário das Correntes XXVIII




Jantar no Restaurante Zé das Letras: Salgados, Pernil de Cabrito e Cheesecake, na companhia da Manuela Ribeiro, a organizadora das Correntes.

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Diário das Correntes XXVII


De início, pensou que seria um daqueles enigmas que os jornais publicavam antigamente, para entreter leitores. Ou uma daquelas lengalengas do século XVIII, que preenchiam amenas e interesseiras conversas entre damas e cavaleiros. Quando percebeu que era mesmo o tema da 1.ª Mesa das Correntes d'Escritas, Eduardo Lourenço pôs-se a pensar. Alinhou algumas ideias, revisitou a obra de vários pensadores e recordou textos que ele próprio escreveu. Mas só esta manhã, ao olhar pela janela do seu quarto, encontrou a melhor imagem para falar sobre o verso de Armando Silva Carvalho, Falta futuro a quem tem no presente ambições passadas: o Mar. E explicou porquê: "O Mar é a concretização de dois mundos. Tem o efémero, na renda de espuma que cada vaga cria, e a essência do tempo, aquele tempo que se converteu em problema e que nos problematiza, no mar propriamente dito".
Seria o tempo a marcar todas as intervenções desta 1.ª mesa, que contou ainda com Aida Gomes, Almeida Faria, Fernando Pinto do Amaral, Maria Teresa Horta e Ricardo Menéndez Salmón. Com um vincado pendor filosófico, os escritores dissertaram sobre as complexas redes que ligam passado, presente e futuro. Para Aida Gomes, no passado muitas vezes se encontra o material para um romance. Ela própria decidiu viver primeiro e só depois se dedicar à escrita, sonho que alimentou desde criança. "Quanto mais vivesse mais passado teria", disse. "E assim mais verdades poderia descobrir ou desmascarar". Ricardo Menéndez Salmón situou-se no mesmo campo, glosando Fernando Pessoa. "O poeta é um fingidor e a literatura um enorme cemitério". Para o escritor espanhol, quando se escreve, o futuro não existe e o presente é apenas o momento em que decorre a escrita. "Ninguém escreve sobre amor quando está enamorado. Ninguém escreve sobre o medo quando está assustado. E ninguém escreve sobre moinhos de vendo quanto está a lutar contra moinhos de vento", atirou. E concluiu: "O escritor é o amo de um cão chamado ontem". Para exemplificar este mesmo ponto de vista, Almeida Faria evocou grandes romances da literatura universal, como Ilusões perdidas, de Balzac, ou Em Busca do Tempo Perdido, de Proust.
Mas houve também outras abordagens e às vezes em sentido contrário. Maria Teresa Horta, lendo aquilo que poderia ser um longo poema, destacou sobretudo o que está para vir. "Convoco o futuro como se quisesse acrescentar vida". E Fernando Pinto do Amaral argumentou que o presente só tem sentido se tiver uma semente de futuro". Por tudo isto, concluiu Eduardo Lourenço, apenas a "arte ou qualquer outra actividade humana é capaz de vencer a morte".

Diário das Correntes XXVI

Programa do dia: 17 horas - 1.ª Mesa - Falta futuro a quem tem no presente as ambições passadas, com Aida Gomes, Almeida Faria, Eduardo Lourenço, Fernando Pinto do Amaral, Maria Teresa Horta, Ricardo Menéndez Salmón e José Carlos de Vasconcelos (moderador).

Diário das Correntes XXV


"Na Conferência de Abertura, vou colocar-me no papel de um observador curioso", disse, ao JL, Álvaro Laborinho Lúcio, no artigo de antecipação das Correntes, que publicámos na edição que chegou hoje às bancas. E na sua intervenção inaugural cumpriu com o prometido. Assumindo esse olhar exterior, o ex-ministro da Justiça e da República nos Açores espreitou os temas das 10 mesas do encontro, naquilo que apelidou de um "prefácio".
Mas foi um prefácio que chamou para si a obra alheia, que tentou aproximar mais do que afastar. Recorrendo aos seus extraordinários dotes de orador, aqui bem comprovados, falou sobre as palavras e os universos que elas encerram. Falou de tolerância, de novas tecnologias, de utopias, de ética é de liberdade, sempre na companhia da poesia. Um diálogo à maneira socrática, que vê no confronto com o outro uma forma de chegar mais além. E de conceber um entendimento do mundo.
O público, encantando, manifestou-se, com palmas e perguntas. E alguém exclamou: "Ja valeu a pena ter vindo". E alguém acrescentou. "Bem que me disseram, vai que é bom". A corrente da Literatura começou.

Diário das Correntes XXIV

Programa do dia: 15h30 - Conferência de Abertura, por Álvaro Laborinho Lúcio.