Wednesday, February 23, 2011

Diário das Correntes XIII

O que acontece quando se juntam cinco escritores à volta de uma mesa com um tema invulgar? Ninguém sabe. E nessa dúvida talvez esteja o segredo das Correntes d’Escritas, cuja 12.ª edição arranca hoje, quarta-feira, 23, na Póvoa de Varzim, e se prolonga até 26. Ao longo dos quatro dias deste Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, organizado pela Câmara Municipal da cidade, o público é constantemente surpreendido, em momentos únicos para mais tarde recordar. O JL antecipa o que poderá ser muito do melhor das Correntes deste ano, ouvindo participantes de várias nacionalidades sobre a forma como preparam as suas intervenções e o seu conteúdo.

Reportagem na edição em papel do seu JL, que hoje chega às bancas.

Diário das Correntes XII

Parece que a reunião do júri do Prémio Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa foi rápida. A porta da sala reservado para o efeito esteve fechada pouco tempo. O resultado sabe-se amanhã, às 11 horas, durante a sessão de abertura do encontro. Eis os finalistas, por ordem alfabética: A Inexistência de Eva, de Filipa Leal; Anthero, Areia & Água, de Armando da Silva Carvalho; Arado, de A. M. Pires Cabral; Curso Intensivo de Jardinagem, de Margarida Ferra; Guia de Conceitos Básicos, de Nuno Júdice; Mais Espesso que a Água, de Luís Quintais; Necrophilia, de Jaime Rocha; O Anel do Poço, de Paulo Teixeira; O livro do sapateiro, de Pedro Tamen; e O viajante sem sono, de José Tolentino Mendonça. O júri do prémio, no valor de 20 mil euros, é constituído por Almeida Faria, Carlos Vaz Marques, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis e valter hugo mãe.



Diário das Correntes XI

Em boa companhia (Teresa Sampaio, Paulo Ferreira, Paulo Gonçalves e Ana Nunes Cordeiro), pela noite dentro.

Diário das Correntes X

Bar aberto. Vai uma rodada?

Diário das Correntes IX


Ricardo Menéndez Salmón não consegui ficar calado ou sem responder à manipulação que o governo de Aznar fez dos atentados terroristas de 11 de Março. Quando já muitas provas apontavam para uma acção de grupos islâmicos, o executivo espanhol veiculou a informação que se tratava de uma iniciativa da ETA. Para Aznar e para o PP, foi o princípio do fim, já que perderiam as eleições de dia 14 do mesmo mês. Mas para Menéndez Salmón foi um limite que se ultrapassou e que ninguém pode deixar de denunciar.

"Não podemos ficar indiferentes a essa lógica do poder que procura introduzir discursos paralelos na realidade", afirmou o escritor espanhol, na primeira sessão de lançamentos de livros das Correntes d'Escritas, que antecedeu a abertura oficial do encontro, marcada para amanhã, quarta-feira, 23, às 11 horas. Revisão, o romance que acaba de ser publicado pela Porto Editora, é a resposta a essa indignação. E, nele, autor e personagem confundem-se, não porque sejam a mesma pessoa (reinventada pela ficção), mas porque Salmón quis imprimir a esta história uma forte vertente cívica. "É um livro visceral, ao mesmo tempo emocional e cerebral", descreveu. "E não tive medo de vincar o que eu próprio penso sobre o assunto".

No dia do atentado de 11 de Março, um revisor está a trabalhar numa nova edição de Os Demónios, de Dostoievski. Mas o seu dia - como o de tantos espanhóis - é fortemente abalado pelos acontecimentos de Madrid. Sucedem-se imagens, declarações e comunicados de imprensa do governo, que a televisão vai dando conta. Mas o revisor saberá desmontar o discurso criado por Aznar e seus assessores. Nesse sentido, a ideia de correcção surge como "metáfora" do que se passou, na medida em que cabe a todos - incluindo aos escritores - a tarefa de rever o texto que os políticos vão escrevendo, não permitindo a vitória da manipulação sobre a verdade.

Foi uma intervenção mais política do que literária, a que Ricardo Menéndez Salmón realizou nesta sessão de lançamento, confirmando a sua apetência para o ensaio, que não é alheio à sua ficção. Aliás, a trilogia do mal, que Revisor encerra e que inclui ainda A Ofensa e a Derroca, está cheia de reflexões sobre a História do século XX e sobre os desafios que a Europa tem pela frente, nomeadamente perante o abismo da desrazão.

Também atento à política está o novo romance de Miguel Miranda, Dai-lhes, Senhor, O Eterno Repouso (Porto Editora), apresentado na mesma sessão. Apesar da estrutura de policial, esta é uma história que ultrapassa as fronteiras do género. O detective Mário França, na sua terceira missão, tem pela frente mais um caso impossível de resolver. Desta vez, relacionado com o terrorismo internacional e as máfias de leste, mas também com o Portugal de brando costumes e atrasos constantes. É, pois, nas palavras do próprio escritor, uma "gastronomia literária, que mistura ingredientes de ficção e realidade", não deixando de captar o tempo em que vivemos.

A sessão ficou completa com os lançamentos de O Livro da Avó, de Luís Silva (Afrontamento), aqui na sua terceira edição (em formato para coleccionadores); Fatalidades Modificáveis & Adágios do Sr. Vital, de Mário Sousa Pinheiro, que continua a vir à Póvoa de Varzim mostrar os seus poemas em edição de autor, como fez em 2008; e Animal de Regresso, mais uma recolha de poemas do histórico das Correntes Ivo Machado (Êxodus), que participa desde a primeira edição.

Tuesday, February 22, 2011

Diário das Correntes VIII


Programa da noite: lançamento dos livros Animal de Regressos, de Ivo Machado (Êxodus), O Revisor, de Ricardo Menéndez Salmón (Porto Editora), O Livro da Avó, de Luís Silva (Afrontamento), Dai-lhes, Senhor, o Eterno Repouso, de Miguel Miranda (Porto Editora) e Fatalidades Modificáveis & Adágios do Sr. Vidal, de Mário Sousa Pinheiro (ed. de autor)



Diário das Correntes VII

Entre a água e o vinho, os jantares das Correntes fazem-se no hotel. A ementa de hoje incluiu buffet de saladas frias, salgados e afins, pratos quentes (peru e peixe), fruta e doces. Os lançamentos são já a seguir.

Diário das Correntes VI

Escritor a escritor enche as Correntes o encontro. À medida que a noite se aproxima, são cada vez mais os convidados que chegam à Póvoa de Varzim. No bar do hotel, o ambiente é de festa. Um reencontro de amigos.

Diário das Correntes V

Antes do jantar e do início do programa cultural das Correntes d'Escritas, uma pausa para a leitura.

Diário das Correntes IV

À medida que os escritores chegam à Póvoa, começam as conversas no bar. Em ameno diálogo, o escritor Ricardo Menéndez Salmón e o organizador das Correntes Francisco Guedes falam sobre literatura portuguesa e espanhola, sob o olhar atento de Maria João Machado, da Porto Editora.