Wednesday, October 13, 2010

Lembrar Isabel Sousa

Soube agora, através d' A Origem das Espécies, da morte da Isabel Sousa e não podia estar mais de acordo com a evocação do Francisco José Viegas. Conheci-a em Espinho, onde dirigia a Biblioteca Municipal, e rapidamente percebi que era uma pessoa alegre, enérgica, insubmissa e com visão. Fará muita falta à cultura e à divulgação do livro e da leitura.

E o Booker Prize 2010 vai para...


Howard Jacobson, com The Finkler Question (Bloomsbury).

Tuesday, October 12, 2010

Livro do ano

Ainda é cedo para falar dos melhores livros de 2010? Talvez, mas não tenho dúvidas que o novo romance (romance?) de Gonçalo M. Tavares será um deles. Já o devorei e posso garantir que é uma leitura inesquecível. Uma experiência. E um assombro. Com edição da Caminho e prefácio de Eduardo Lourenço, Uma Viagem à Índia revisita a grande epopeia portuguesa e do Ocidente, questionando a possibilidade de realizar semelhantes feitos em plena melancolia do século XXI. Chega às livrarias no próximo dia 22 de Outubro.

Boris Vian: Sinta quem lê

Engenheiro, cantautor, trompetista, jazzista, poeta, romancista, contista, anarquista, surrealista e patafísico. Eis como poderíamos compor o extenso bilhete de identidade de Boris Vian. Atacado desde cedo por uma saúde frágil, nunca deixou no entanto de aproveitar a vida até ao limite, durante a boémia parisiense do pós-guerra, da qual é um dos maiores símbolos. A sua obra literária espelha essa postura, que não poucas vezes lhe valeu o epíteto de escritor maldito. Foi até acusado de atentado à moral pública, quando se descobriu que Vernon Sullivan, o autor de Irei Cuspir-vos nos Túmulos, era afinal um pseudónimo. Não espanta por isso que Boris Vian seja também autor destes Escritos Pornográficos que agora chegam a Portugal, numa edição ilustrada por Pedro Vieira.
Nestes poemas e contos, é a rima solta e engenhosa, tão presente na sua poesia e nas suas canções, que encontramos. Eram famosos os improvisos noturnos de Boris Vian, no Hot Club de França, no cabaré Milrod l’Arssouille ou em casa de amigos, e muitas destas composições líricas e libidinosas nasceram aí. Talvez por isso, a qualidade seja desigual, quer como poemas, quer como criações pornográfica. Liberdade (a partir de uma poema de Paul Eluard), Durante o Congresso e As Fufas são breves cantilenas, em que o sujeito poético oscila entre o concreto e o indefinido, a dúvida e a certeza, o entusiasmo e a repulsa. Já os outros dois poemas, A Marcha do Pepino e A Missa em João Menor, são bons exemplos da ironia de Boris Vian e do seu ataque sem tréguas a qualquer instituição. Por último, Drencula – Excerto do Diário de David Benson revisita a mitologia dos condes da Transilvânia, num cómico delírio sexual.
Não se pense, contudo, que estes poemas e contos fazem do autor de A Espuma dos Dias ou O Arranca Corações um entusiasta da pornografia. Isso mesmo admitia o seu compagnon de route Noël Arnaud, que em 1980 assinava o prefácio a estes escritos. “É preciso admiti-lo: Boris Vian apreciava pouco a pornografia, não molhava nela a sua pena e via nesse género sobretudo um exercício literário como outro qualquer que preferia deixar para os especialistas, incluindo alguns grandes autores”. E acrescentava: “Era-lhe, de tempos a tempos, uma oportunidade para se divertir ou para pagar uma aposta”. Ideia que sai reforçada depois da leitura de Utilidade de uma literatura Pornográfica, que abre este volume. Trata-se de uma conferência em que Boris Vian desconstrói alguns autores (como Sade ou Henry Miller) e definições da pornografia, para lhe opor apenas uma: “É perigoso acreditar que um livro possa influenciar um leitor… Se assim fosse, não haveria ninguém à face da terra desde a história do primeiro crime.” Por isso formula o escritor a seguinte evidência: “Não há literatura erótica senão no espírito do erotómano”. Daí que qualquer texto possa ser incluído nessa categoria, pois como defende Fernando Pessoa, no famoso poema Isto: “Sentir? Sinta quem lê!” E toda a leitura é sempre poliformicamente sensual.

In JL n.º 1044, de 6 de Outubro de 2010

Monday, October 11, 2010

A viagem do parafuso V



Primeiras impressões de Frankfurt: típica cidade alemã, com um centro histórico totalmente reconstruído e um skyline em crescimento.

A viagem do parafuso IV

Não houve alternativa: de brufen em brufen encheu o constipado a saúde. Ou qualquer coisa do género.

A viagem do parafuso III

Uma inesperada constipação interrompeu a viagem do parafuso. Em dias de alerta amarelo, visitar o norte sem um bom casaco não é boa ideia.

Saturday, October 2, 2010

A viagem do parafuso II



Um café, um livro e o oceano a perder de vista, no Castro de S. Paio, uma antiga aldeia fortificada do primeiro milénio a. C., construída por povos do noroeste peninsular, a que os romanos chamavam Calaicos. Começou o fim-de-semana.

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A viagem do parafuso I

De Lisboa a Malta (em Vila do Conde), de Malta a Lisboa, de Lisboa a Frankfurt, de Frankfurt a Lisboa. Até dia 10 de Outubro, este blogue está em viagem, com a bagagem cheia de livros. Notas e apontamentos a qualquer instante.


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Friday, October 1, 2010

Borges forever

Para futuros detectives literários, Jorge Luis Borges deixou um poema inédito e muitos apontamentos em livros da Biblioteca Nacional da Argentina, que dirigiu durante 18 anos.