Showing posts with label Diário do LeV 2011. Show all posts
Showing posts with label Diário do LeV 2011. Show all posts

Sunday, April 17, 2011

Diário do LeV

Descrições sumárias ou entrar no detalhe? Quando se fala de Livros com História dentro, tema da terceira mesa do LeV, é esta dúvida que André Gago coloca. E que esteve presente no seu último romance, Rio Homem. Ao abordar a Guerra Civil Espanhola, o actor e escritor confrontou-se com as muitas nuances que a História tem. “É preciso ir além da visão-pronta-a-digerir que às vezes nos apresentam”, defendeu, “e sobretudo não dar de barato que as pessoas sabem o que se passou”. A sua opção, assim, foi ser o mais concreto e minucioso, envolvendo as peripécias de Rolegio com os dados, factos e acontecimentos que caracterizam o conflito espanhol. Porque, na sua opinião, “esquecer é muito mais simples do que recordar”.

Autor de vários romances históricos, Pedro Almeida Vieira também defedeu a História – e o Passado – como um meio para entender o presente. Até porque não vê facilidades naquele género literário. “Um autor que escreve sobre o passado não tem rede, tem obstáculos. Não é uma corrida de 100 metros, são 110 metros com barreiras”. É certo que a investigação ajuda, mas o mais importante para o autor de A corja maldita é “ter um pé no presente”. Os seus livros são, por isso, histórias com passado presente. Viagens espaciais e temporais à natureza humana onde o leitor pode encontrar-se e, através do passado, perspectivar o futuro.

Prova desta perspectiva é o romance de Teolinda Gersão. Em As cidades de Ulisses, a escritora recordou mal do passado, mostrando como são presentes. A corrupção, que vem do tempo de D. Manuel, que chamou a si os negócios dos mercadores do reino, ou dos anos 80, retratados no romance. Um discurso político com um objectivo: “Promover, através da literatura, uma mudança de mentalidades”.

Neste emaranhado de questões, o cubano Leonardo Padura propôs uma organização conceptual. Há livros de História, que a tomam como matéria fundamental; livros que contam histórias reais, muitas vezes em forma de romance; livros usam a história como parte do argumento, como os romances históricos; e os livros que contam histórias intencionalmente esquecidas. É o caso do seu último romance, O homem que gostava de cães, sobre o assassinato de Trosky. Perante a dificuldade de se ter acesso a todos os documentos que interessariam para reconstituir o plano que Estaline montou para apagar do mapa o seu inimigo número 1 – com uma noção muito lúcida da História, ele mandou destruir documentos à medida que os ia produzindo -, Padura lembrou o dilema do escritor: “Os livros de História partem de um pressuposto: é possível saber o que aconteceu. Mas essa ideia nem sempre se cumpre”. E rematou: “No jogo da história, não usamos todas as cartas do baralho. Só as que temos na mão”.

Diário do LeV

"Em relação ao Diabo, Deus tem uma grande desvantagem", diz Pedro Almeida Vieira, "É que, sendo omnipresente, não consegue viajar". Uma desgraça divina.


- Posted using BlogPress from my iPhone

Diário do LeV



Apresentação dos livros Até ao fim - a última operacão, de António Vasconcelos Raposo, A cidade de Ulisses, de Teolinda Gersão, e O profeta do castigo divino, de Pedro Almeida Vieira.


- Posted using BlogPress from my iPhone

Diário do LeV


Apresentação do primeiro livro de Rui Zink, Hotel Lusitânia, reeditado agora na Planeta, 25 anos depois da sua publicação inicial. Um lançamento e uma homenagem.

- Posted using BlogPress from my iPhone

Diário do LeV




Almoço na casa de chá Boa Nova, em Leça da Palmeira, na companhia do 'traço' de Siza Vieira.


- Posted using BlogPress from my iPhone

Diário do LeV


Foi com esta música que Carlos da Veiga Ferreira anunciou a amigos e editores que estava de regresso à edição, depois de ter saído da LeYa. Como lembrou nas Correntes d'Escritas, "os editores, ao contrário dos cavalos, não se abatem". E a Teodolito está aí para o provar. A editora arranca em Outubro, mas o primeiro livro sai já a 23 de abril, no Dia Mundial do Livro, no âmbito da colaboração que Carlos da Veiga Ferreira mantém há muitos anos com a Fnac para a edição de um volume de contos, este ano com histórias de Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Ondjaki, Onésimo Teotónio de Almeida e Ricardo Adolfo. Que bom é tê-lo de volta, Carlos.

Diário do LeV

Noites longas: José Luís Peixoto.

Diário do LeV

Noites longas: Isabel Castro Henriques.

Diário do LeV

Noites longas: Mario Delgado Aparaín.

DIário do LeV

Noites longas: Pedro Almeida Vieira.

Diário do LeV

O programa cultural do primeiro dia do LeV fechou com o lançamento do novo romance de João Lopes Marques, Iberiana, que incluiu a projecção da curta-metragem realizada por Filipe Araújo a partir do livro. Um olhar cruzado sobre as Ibérias da Europa: a de Portugal e Espanha e a do Cáucaso.

Diário do LeV

Conferências sobre literatura, feiras com descontos. A viagem dos livros em Matosinhos.

Diário do LeV

Hoje a imagem da Mesa 2, amanhã a crónica.

Saturday, April 16, 2011

Diário do LeV

Programa do dia: 18 e 30, Mesa 2 - Encontro-me a mim próprio viajando, com Joel Neto, José Abecassis Soares, Eduardo Sacheri, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares e Vítor Quelhas.

Diário do LeV


"Proponho-vos o seguinte exercício", atira Rui Zink, a meio da sua intervenção na primeira mesa do Literatura em Viagem (LeV), dedicada ao tema Viajo para disciplinar o raciocínio. "Uma noite, antes de se deitarem, tentem imaginar o dia de amanhã". Parecia uma proposta simples, mas não era. Tinha truque. Uma revelação escondida. Porque, na verdade, o que o autor de Hotel Lusitânia pedia não era uma projecção feita a olhar para a agenda. Antes um “imaginar o que normalmente não se imagina”. O exercício inverso deveria ser repetido numa manhã, não necessariamente a seguinte. “Tentem recordar o dia de ontem”.

Com este duplo jogo, afiança Rui Zink, rapidamente se perceberá que tanto num caso como noutro o que está em causa é sempre a imaginação. “Porque o que num dia pensamos ser memória (ontem) é afinal reconstrução e o que noutro acreditamos ser imaginação (amanhã) é apenas conhecimento”. É por isso que o escritor defende que “a melhor viagem é a interior, aquela que fazemos dentro de nós”. Se depois empreendemos andanças físicas, é porque “para regressar precisamos de partir”. E em qualquer desta viagens o mais importante são as pessoas, o olhar, este pêndulo entre a memória e a projecção.

A noção de viagem mais acção, apresentada por Rui Zink e retirada da mesma palavra (Vi – Ajo), marcou as intervenções da primeira mesa. José Ricardo Nunes lembrou a viagem mais aterradora que conhece, aquela que o semi-heterónimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares, faz no eléctrico. Também aqui, no embate com o exterior, tudo é essencialmente interior. Os mundos percorridos pelos carris são ao mesmo tempo físicos e insondáveis. João Lopes Marques revelou a sua preferência por não-lugares e territórios de estranheza quando a escrita chama por si. “Não consigo escrever em casa”, disse. E, por isso, faz da viagem um modo de vida, tendo fixado residência na Letónia. O seu novo romance, Iberiana, é o resultado dessa inquietação, ligando duas pontas da Europa: País Basco e Geórgia.

Para o brasileiro Marcelo Ferroni, a acção faz-se no escritório, embora seja igualmente agitada. É daqueles que se define como um “viajante sedentário”. Quando era adolescente, sonhava dar a volta ao mundo. Passou muitos anos a juntar dinheiro para a realizar. Mas quando finalmente olhou com entusiasmo para a conta bancária, decidiu: o melhor é ir para Paris e ficar lá seis meses. A viagem fez à volta do quarto. O que também aconteceu com a biografia imaginária que fez de Che Guevera. Para escrever Método Prático de Guerrilha, pensou em muitas viagens e em muitos destinos. “Como bom sendentário”, brincou o escritor e editor da Objectiva, “à medida que me desliguei dos livros que serviram de base à minha investigação, abandonei também a ideia da viagem”. No fim, acabou por encontrar e descrever uma Bolívia feita citações. E garantiu: “Este é um livro de viagens a um país imaginário”.

Opção contrária tem Miguel Carvalho, que luta por manter o que de melhor há no jornalismo: “Reproduzir os cheiros e as sensações do terreno”. Contra o “noticiário fast-food”, o grande-repórter da Visão propõe a filosofia que alimentou gerações de jornalistas: “O jornalismo pode não mudar o mundo, mas devemos continuar a escrevê-lo como se isso fosse possível”.



Diário do LeV

Alguns problemas com a internet. Solução de recurso encontrada através do iphone do Bibliotecário de Babel. As próximas voltas do parafuso são à sua conta. Muito obrigado.

Diário do LeV

Programa do dia: 17 horas, Mesa 1, com João Lopes Marques, José Ricardo Nunes, Marcelo Ferroni, Rui Zink, Miguel Carvalho e Paulo Ferreira (moderador).

Diário do LeV


Conhecer as leis e os segredos do mar é missão de qualquer marinheiro. E não há melhor lugar para essa aprendizagem, garante Proença Mendes, do que o navio-escola Sagres. Para ilustrar a sua tese, o comandante recordou os principais momentos da circum-navegação que realizou em 2010. De Lisboa à América do Sul, celebrando aí o bicentenário da independência de muitos países, e do Japão a Goa, assinalando os 500 anos da chegada dos portugueses ao extremo Oriente, esta foi também uma viagem pela lusófonia e pelas marcas que Portugal foi deixando pelo mundo. Mais do que um navio, sublinhou, a Sagres é uma verdadeira embaixada em movimento.
À velocidade da vela, o LeV já levantou âncora e iniciou a sua viagem.

Diário do LeV

Vamos começar. Sessões reservadas a leitores e viajantes.

Diário do LeV

Do outro lado da linha: Campanhã.