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Tuesday, April 5, 2011

Diário da terra do gelo 13

Para visitar a Islândia é preciso consultar diariamente as previsões do tempo. É que nunca se sabe que dia se vai ter pela frente. Ou como dizem os islandeses, segundo o guia da Lonely Planet: "Se não gostas do tempo agora, espera mais cinco minutos - de certeza que vai piorar". O que vale é que o site do Icelandic Meterological Office está sempre actualizado. Para consultar aqui.

Tuesday, March 29, 2011

Diário da terra do gelo 12



Entre trabalhos vários, eis o que me inspira por estes dias: a possibilidade de uma ilha, o sonho de umas férias já marcadas, a promessa de uma viagem. E este vídeo, criado pelo projecto Inspired by Iceland, a partir da música Jungle Drum, de Emilíana Torrini, com o objectivo de voltar a dinamizar o turismo no país, depois da bancarrota e do caos provocado pelo vulcão Eyjafjallajökull. Tudo isto descobri no blogue Og ég fæ blóðnasir, igualmente inspirado pela Islândia. E o vosso coração, também bate?

Diário da terra do gelo 11

Naquele tempo tinham decorrido vinte e quatro invernos desde a queda de Fridfrodi e reinava na Uppland, na Noruega, o rei que se chamava Erlingr. Tinha uma mulher e dois filhos. O mais velho chamava-se Sorli, o forte e o mais novo Erlendr. Eram homens capazes. Sorli era o mais forte dos dois. Tomaram parte em expedições guerreiras desde que chegaram à idade de o fazer. Combateram Sindri o viking, filho de Sveigir Hákason o rei do mar, nos recifes de Elbe. Foi lá que caiu Sindri e toda a sua companhia. Nessa batalha também Erlendr Erlingsson encontrou a morte. Depois disto Sorli dirigiu-se para o Báltico, guerreou e realizou tantas proezas que é impossível descrevê-las todas.

Saga islandesa do século XIV, traduzida por Irene Freire Nunes e publicada na antologia Rosa do Mundo, uma edição da Assírio & Alvim.

Monday, March 28, 2011

Diário da terra do gelo 10

Aqui começa o dito de Sörli

A Leste do Vanakvist na Ásia encontrava-se o país de Ásia ou mundo de Ásia. Chamava-se Ásios o povo que o habitava. Eles chamavam à sua capital Ásgaror. O rei que aí reinava dava pelo nome de Odinn. Havia lá um grande local de sacrifício. Odinn nomeou Njord e Freyr sacerdotes sacrificantes (blotgodar). A filha de Njordr chamava-se Freyja, acompanhava Odinn e era sua amante. Havia na Ásia certos homens dos quais um se chamava Alfregg, outro Dvalinn, o terceiro Berlingr e o quarto Greer. Moravam nas imediações da "halle" do rei. Eram uns seres tão hábeis que faziam tudo na perfeição. Chamavam a essa espécie de homens anões. Habitavam um rochedo. Naquele tempo misturavam-se mais com os homens do que agora. Odinn amava muito Freyja, aliás ela era a mais bela mulher daquele tempo. Possuía uma pequena casa; esta era a um tempo tão bela e tão forte que, segundo contam, quando a porta estava fechada e trancada, nenhum homem podia penetrar no interior contra a vontade de Freyja. Um dia aconteceu que Freyja passou por aquele rochedo quando ele se encontrava aberto. Os anões estavam ocupados a forjar um colar de ouro. Era uma verdadeira obra-prima. O colar agradou muito a Freyja. Freyja também agradou muito aos anões. Ela propôs-lhes comprar o colar, oferecendo em troca ouro, prata e outros bens de alto preço. Eles declararam não precisar de riquezas. Todos afirmaram querer vender a sua parte do colar e nada mais desejar em troca senão que ela passasse uma noite com cada um deles. E quer ela se tenha acomodado bem ou mal à ideia, concluíram o negócio. Passada a quarta noite e preenchidas todas as condições, os anões entregaram o colar a Freyja, que regressou a sua casa e nada deixou transparecer como se nada se tivesse passado.

Saga islandesa do século XIV, traduzida por Irene Freire Nunes e publicada na antologia A Rosa do Mundo, uma edição da Assírio & Alvim.

Diário da terra do gelo 9

"A Islândia pagou caro a irresponsabilidade dos tempos em que nos diziam para pormos os olhos nela. Agora que está a tentar dar a volta é que passou a ser essencial segui-la." A Islândia e a forma como está a dar a volta à crise, num artigo de Rui Tavares. Para ler aqui.

Sunday, March 27, 2011

Diário da terra do gelo 8

Mais notícias da terra do gelo, agora no Jornal i, e com um título muito sugestivo: "Islândia. O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão". Para ler aqui.

Saturday, March 26, 2011

Diário da terra do gelo 7

O Canto da Völa

Convido-vos a ouvir-me, seres sagrados,
Poderosos e humildes descendentes de Heimdall:
Tu, Alfadir, queres que eu revele os destinos primitivos
Dos deuses e dos homens, os mais antigos de que tenho lembrança.

Lembro-me dos gigantes nascidos na aurora dos tempos,
Daquele que outrora me deram nascimento
Conheço nove mundos, nove domínios cobertos pela árvore do mundo.
Essa árvore sabiamente edificada que enterra as raízes no seio da terra.

Era no começo dos tempos em que Ymir vivia.
Não havia areia, mar, ondas refrescantes.
Não se via terra ou abóbada celeste.
Era um abismo gigantesco sem vegetação.

Era antes de os filhos de Buri terem erguido a crosta terrestre,
E edificado a esplêndida morada de Midgard.
O sol luzente do sul brilhava sobre os rochedos da terra:
E o solo cobriu-se de plantas verdejantes.

O sol do sul, o companheiro da lua,
Estendeu a mão direita para a orla do céu,
O sol não sabia o seu caminho;
A lua não conhecia o seu poder;
As estrelas não sabiam onde era o seu lugar.

Os deuses subiram para os seus cadeirais de juízes;
As divindades sagradas reuniram em concílio:
Deram um nome à noite e às fases da lua:
Regularam a hora da manhã e o meio do dia,
A tarde e o crepúsculo para medir o tempo.

Os Ases reuniram-se nas planícies de Ida.
Edificaram santuários e templos;
Construíram fornalhas, forjaram ouro,
Moldaram tenazes e fabricaram alfaias.

Jogaram aos dados no recinto e deram largas à sua alegria...

Profecia islandesa do séc. XI, traduzida por Maria Jorge Vilar de Figueiredo e publicada na antologia Rosa do Mundo, uma edição da Assírio & Alvim.

Friday, March 25, 2011

Diário da terra do gelo 6

A Criação dos Mundos

O mundo dos deuses tinha no seu centro uma grande árvore, um imenso freixo chamado Yggdrasill. Esta árvore era tão gigantesca que os seus ramos se estendiam para abarcar todo o céu e toda a terra. Três raízes suportavam o enorme tronco: uma passava pelo reino dos Aesir, a segunda passava pelo reino dos gigantes do gelo (Vanir), e a terceira pelo reino dos mortos. Sob a raiz que passava pela terra dos gigantes encontrava-se a fonte de Mimir, cujas águas retinham a sabedoria e o conhecimento mágico das runas. Odin sacrificou um dos seus olhos em troca do direito a beber um golo desta água preciosa...
A árvore formava uma ponte entre os diferentes mundos. No princípio, existiam duas regiões: Muspell no sul, plena de fulgor e fogo; e um mundo de neve e gelo a norte. Entre estas regiões não havia nada senão o grande deserto de Gunnungagap. No ponto onde o calor e o frio se encontravam, no meio deste vazio, surgiu uma criatura, do interior do gelo que se derretia; o seu nome era Ymir. Ele era um grande gigante e foi sob o seu braço esquerdo que nasceram o primeiro homem e a primeira mulher, enquanto que, sob os seus pés, nasceu a família dos gigantes do gelo.
Ymir alimentava-se do leito de uma vaca cujo nome era Audhumla, que lambeu blocos de gelo salgado e produziu um novo ser, um homem chamado Buri. Este teve um filho chamado Bor, e os filhos de Bor eram os três deuses, Odin, Vili e Ve. Estes três deuses mataram Ymir, o gigante primordial, e os gigantes do gelo, excepto um, de nome Bergelmir, morreram afogados no sangue do gigante.
Os deuses formaram o mundo dos homens a partir do corpo de Ymir: do seu sangue nasceram o mar e os lagos, da sua carne, a terra; e dos seus ossos as montanhas; dos seus dentes e maxilares, assim como dos muitos ossos partidos, formaram as rochas e pedras.
Do crânio de Ymir fizeram a cúpula celeste, colocaram um anão suportando cada um dos quatro cantos e levantando-a muito acima da terra. Este mundo dos homens era protegido dos gigantes por uma muralha, feita com as pestanas de Ymir, e chamava-se Midgard. Os deuses criaram os habitantes do mundo a partir de duas árvores que cresciam junto do mar, e que se transformaram num homem e numa mulher. Deram-lhes espírito e compreensão, o poder para se moverem e o uso dos sentidos. Também criaram os anões, criaturas com nomes estranhos, que proliferaram sob a terra como vermes, e habitaram no interior de montes e rochedos. Eram excelentes artesãos e foram eles que produziram as grandes riquezas dos deuses.
Os deuses fizeram com que o tempo existisse, ordenando à noite e ao dia que começassem a viajar através dos céus em carruagens puxadas por rápidos cavalos. Duas belas crianças chamadas Sol e Lua foram também enviadas a percorrer os caminhos celestes. O Sol e a Lua têm que cavalgar com rapidez porque são perseguidos por lobos, que pretendem devorá-los. No dia em que os grandes lobos conseguirem engolir o sol, terá chegado o fim de todas as coisas.

Edda islandesa traduzida por Manuel João Ramos e publicada na antologia Rosa do Mundo, uma edição da Assírio & Alvim.

Diário da terra do gelo 5


Primeiras leituras para os tempos livres: Old Norse-Icelandic Literature - A Short Introduction, de Heather O'Donoghue (Blackwell), Gente Independente, de Halldór Laxness (Cavalo de Ferro) e A luz que vem do norte, antologia de contos nórdicos organizada por Gonçalo Vilas-Boas (Afrontamento).

Thursday, March 24, 2011

Diário da terra do gelo 4

A Islândia é o convidado de honra da próxima edição da Feira de Frankfurt, que decorre naquela cidade alemã entre 12 e 16 de Outubro. A representação oficial já tem um site trilingue, que pode ser consultado aqui, com informações sobre a literatura islandesa e referências à cultura e às artes em geral. Todos os meses um escritor estará em destaque, embora haja fichas individuais para os principais autores do país e textos próprios para as sagas e eddas medievais. Esta é a melhor porta de entrada para "uma pequena ilha" com "grandes histórias".

Diário da terra do gelo 3

Más notícias: Partículas radioactivas do Japão chegam à Islândia e à Finlândia. Boas notícias: Governos de ambos os países tranquilizam populações, já que os níveis de radioactividade são de tal forma baixos que não constituem riscos para a saúde. Para ler aqui.

Wednesday, March 23, 2011

Diário da terra do gelo 2

A Islândia (e toda a Escandinávia) no mapa do cartógrafo sueco Olaus Magnus. Esta Carta Marina é o primeiro mapa com informações detalhadas sobre os povos e regiões nórdicas.

Tuesday, March 22, 2011