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Tuesday, April 12, 2011

Pinturas que inspiraram Walser

Vénus de Urbino, de Tiziano (1538)

O beijo roubado, de Jean-Honoré Fragonard (1786)

A liberdade guiando o povo, de Eugène Delacroix (1830)

A Rua Mosnier com bandeiras, de Edouard Manet (1878)

Quatro pinturas que inspiraram Robert Walser nas suas Histórias de Imagens.

Mansardamente

"Talvez a elegância se torne tão mais elegante, a arte tão mais artística, o amor tão mais amoroso, as mulheres tão mais femininas e a alegria tão mais alegre quanto mais se habita mansardamente."

Robert Walser, in Esboço sobre um quadro de Fragonard, texto integrado em Histórias de Imagens.

Escrever

"Belas mulheres embelezam as ruas com a sua presença e eu estou aqui sentado, a escrever?"

Robert Walser, in O Quadro de Bruegel, texto integrado nas Histórias de Imagens.

Vida comum

Todo o desejo
de superação
da vida comum
confere um propósito à vida.

Robert Walser, in Esboço sobre a Queda de Ícaro, poema integrado nas Histórias de Imagens.

Fantasiar

"Robert Walser manteve-se fiel a este princípio. Quando escreveu sobre arte - e fê-lo desde o início e frequentemente com paixão -, não quis exercer a influência, não proferiu juízos, respondendo simplesmente aos estímulos que os quadros lhe proporcionavam, desenvolvendo-os na literatura. Concedeu a si mesmo esse direito, sem hesitar, pressentindo que a literatura e a pintura partilhavam uma perspectiva elementar: o facto de tanto a criação de imagens como de textos ser um fantasiar."

Bernhard Echte, no posfácio a Histórias de Imagens, de Robert Walser, uma edição da Cotovia.

Thursday, April 7, 2011

Histórias de Imagens

A caminho das livrarias, com a marca da Cotovia. Textos de Robert Walser a partir de imagens da pintura ocidental. Histórias fascinantes.

Monday, March 7, 2011

Coleção Judaica na Cotovia


Quando, passados 15 anos sobre o fim da II Guerra Mundial, Primo Levi realizou um conjunto de visitas a escolas, um facto começou a atormentar-lhe o espírito: os jovens do seu país já não sabiam o que tinha acontecido no Holocausto, nos campos de concentração e na perseguição aos judeus durante a ditadura nazi. Na altura, numa célebre entrevista, o escritor italiano defendeu O Dever de Memória, que caberia não só às testemunhas desse conflito mundial, mas também às gerações vindouras. É com o mesmo espírito que a Cotovia abre agora uma nova colecção dedicada à história e à cultura dos judeus, intitulada Judaica e com apresentação pública no próximo dia 12 de Março, no clube ferroviário, em Lisboa. “Sinto que é necessário recordar sempre os grandes crimes contra a humanidade. Todos. Esta colecção vem daí, dessa minha necessidade tornada convicção”, afirma o editor André Jorge. E acrescenta: “Não creio que haja anti-semitismo em Portugal. Ou esse tipo de fanatismos . Ou, melhor, há, quando hoje se fala contra os árabes. E há resquícios de anti-semitismo na língua (fazer judiarias, ser somítico, essas coisas). Mas há nitidamente necessidade de discussão, de reflexão séria. Espero que esta colecção contribua para isso.”
O livro com a entrevista de Primo Levi é precisamente um dos seis primeiros a sair, num conjunto que pretendeu sublinhar, desde o início, a pluralidade de pontos de vista da coleção. “Não vamos tomar partido. Pelo contrário, queremos mostrar que mesmo dentro do judaísmo sempre houve várias correntes”, adianta André Jorge. “E a discussão refletida faz-nos muita falta. É ela que abre horizontes. Ouvir vários lados, tomar posição ou não, mas tentar compreender. É esse o caminho para a tolerância”.
Desta forma, o autor de Se Isto É Um Homem, em que narra os 10 meses que passou em Auschwitz-Birkenau, surge ao lado de outros com perspetivas muito diferentes. É o caso de Karl Marx e da sua tese Sobre a Questão Judaica.
Neste conjunto inicial, alguns volumes também têm como objetivo apresentar as grandes linhas de força do património dos judeus. Judaísmo para todos, de Bernardo Sorj, e Judaísmo - Dispersão e Unidade, de Moacyr Scliar, servem esse propósito, ao mesmo tempo que destacam os estudos sobre este tema assinados por investigadores de língua portuguesa. “Com o fascínio muito particular que tenho pelo Brasil e pelas suas gentes, incluí vários autores brasileiros de origem judaica que nos explicam o judaísmo em sentido lato e não centrado na perseguição dos judeus”, explica o editor da Cotovia. Os dois últimos lançamentos são também de brasileiros e apresentam aspetos mais específicos. Entre Árabes e Judeus, de Helena Salem, foi escrito em 1973, durante os conflitos que opuseram egípcios, sírios e israelitas. “ A Helena era uma jovem jornalista brasileira quando escreveu este livro. Estava no Egito aquando do início da guerra do Ion Kipur e acabou por cobrir, como repórter, essa guerra, de um lado e do outro, apesar da sua condição de judia. Porém, o seu apelido, por ser comum entre árabes e judeus, permitiu-lhe circular entre os dois lados”, descreve André Jorge. “É um texto importantíssimo e que ganha agora mais atualidade pelas notícias que nos chegam daquela região”. Os Cristãos-Novos em Portugal no Sec. XX, de Samuel Schwarz, como o próprio nome indica, conta as vivências dos judeus obrigados à conversão, em particular na região de Belmonte.
Foi na casa paterna que André Jorge se deparou em primeiro lugar com a cultura judaica. “Não me recordo quando começou o meu interesse , mas era muito pequeno, com certeza. Talvez venha da admiração que o meu pai tinha pelos judeus”, revela. Hoje garante ser um “ateu convicto”, mas essa semente familiar deu muitos frutos, muitas leituras, uma curiosidade imensa, que agora se espelha nesta coleção. Para o futuro, estão previstos mais volumes, incluindo uma antologia de texto sobre o Holocausto e um “precioso livrinho de Bensaúde Amzalac que, em 1930, teve uma edição de 300 exemplares: são as orações de Israel escritas em português, para serem lidas em português”.
A Judaica marca também o início do relançamento da editora, depois de dois anos de pouca atividade. Além da Judaica, serão inauguradas mais duas coleções, uma de literatura universal, a outra de policiais.

Texto publicado no JL 1054, de 9 de Fevereiro de 2011.